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26.10.2020 | SAFRA - por Jornal do Povo - RS

A volta de La Niña

Parte das barragens gaúchas ainda nem se recuperou da seca do último ano

A disponibilidade de água em todo o sul do Brasil será o grande limitante da safra de verão 2020/21, que já está sendo plantada. A temporada agropecuária ocorre sob interferência do fenômeno climático La Niña, marcado pela ocorrência de chuvas abaixo das médias históricas. A situação preocupa ainda mais depois da seca que gerou altos prejuízos às lavouras de coxilha e pastagens no último ciclo de verão/outono em Cachoeira do Sul, em especial na soja e no milho.

O arroz teve ótimo desempenho, mas alguns açudes chegaram ao final do ciclo de irrigação praticamente secos e muitos arroios, atorados.  

O inverno e a primavera de 2020 não tiveram volume de chuvas suficiente para recompor os níveis de boa parte dos mananciais hídricos.

“O diferencial sobre outras temporadas é que entramos na época de plantio com barragens abaixo da média ou no limite para atender as áreas dimensionadas dos cultivos”, explica Mara Grohs, coordenadora da subestação de pesquisa de arroz do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), no Capané.

Neste caso, o dimensionamento da lavoura à capacidade hídrica disponível, para quem ainda não plantou, e o início da irrigação quando o estande de plantas estiver dentro do recomendado tecnicamente, para quem já semeou, são as recomendações do momento.

“Irrigar cedo evitará as perdas e pode antecipar a colheita, reduzindo a demanda por água no final do ciclo”, resume. Ela circulou pela pela Fronteira Oeste, Campanha e região central nas duas últimas semanas e voltou preocupada com o que viu. “Temos barragens despontando e outras com 60% de água porque as chuvas foram muito irregulares em volume e localização”, observa. Cachoeira plantará 26,27 mil hectares de arroz nesta temporada e até o último dia 14, conforme o Irga, já tinha concluído perto de 7 mil hectares.

SOJA


Na safra de soja 2019/20, Cachoeira teve perdas de 57,3%, alcançando a produção de apenas 2,24 milhões de sacas de 60 quilos em 105,5 mil hectares. A produtividade média ficou em 21,6 sacas (1.296 quilos por hectare). Os meses críticos foram fevereiro (28 milímetros) e março (8 milímetros), na fase reprodutiva da planta. O engenheiro agrônomo e agropecuarista Luiz Alberto Schwab considera a situação preocupante.

“É uma condição atípica porque já estávamos em uma temporada de pouca chuva e vamos para uma safra com previsão de baixo volume de precipitações”, reconhece Schwab. A falta de umidade na formação e desenvolvimento das pastagens de verão afeta a produtividade pecuária, o potencial de conversão e tende a gerar mais custos, caso seja necessário suplementar o gado, e na soja traz perdas em rendimento e peso de grão”, acrescenta.

Chove menos, mas chove

O empresário Gustavo Trevisan, optou por derrubar parte da aveia plantada como cobertura de inverno e formar palhada para preservar a umidade do solo. “Com a previsão climática, a tendência é de que precisemos desse diferencial para garantir uma melhor colheita de soja”, entende. O engenheiro agrônomo Dirceu Nöller, do escritório da Emater de Cachoeira, enfatiza que um bom manejo das culturas de inverno, formação de palhada e descompactação do solo - para melhor desenvolvimento das raízes e absorção de nutrientes e umidade - associada a técnicas de melhoria da fertilidade são fundamentais.

“Daqui pra frente, por melhor que seja o manejo, o que garante resultado é chuva na quantidade e na hora certa. O que serve de consolo é que as piores secas e os piores resultados acontecem em anos de clima neutro, como na safra passada. Sob La Niña, portanto, apesar de alguma estiagem, a tendência é de que chova um pouco mais do que no ano passado”, afirma. Jossana Cera, agrometeorologista e consultora do Irga, lembra que o ideal seria pelo menos uma chuva de 30 a 50 milímetros por semana. “Mas, em La Niña às vezes acontece de chover 250 milímetros no mês, porém em um ou dois dias seguidos e na mesma região e ficar quase um mês sem chover”.

PARA SABER MAIS


O que muda com La Niña
* A doutora em Agrometeorologia Jossana Cera, consultora do Irga, explica que de modo geral a ocorrência de La Niña é associada a um resfriamento anômalo das águas do Pacífico, e gera precipitações abaixo da média no Sul do Brasil.

* No entanto, Jossana frisa que não se trata uma regra estanque. “Analisando as produtividades de soja em anos deste fenômeno climático, observa-se que em algumas regiões não ocorrem tantas quebras, em outras há um histórico de perdas mais severas. Isso depende da intensidade do fenômeno e de outro fator, como a temperatura do Atlântico, que está mais aquecido e pode gerar uma condição mais favorável às chuvas, o que beneficiaria em especial o litoral gaúcho”, explica.

* Desta primavera até o outono de 2021, pelo menos, a previsão é de um fenômeno de intensidade moderada, mas que pode progredir para forte. Isso, só o tempo vai dizer.

* “São várias combinações que podem favorecer a chuva ou a estiagem”, acrescenta a Jossana. Atualmente, segundo ela, é observado que as frentes frias chegam até o Uruguai, que tinha alerta de tempestades e granizo no início desta semana, mas depois da fronteira gaúcha, se dissipam.

* As tempestades são mais intensas na zona sul, mas gradativamente se direcionam para o mar e perdem força no sentido do interior gaúcho, tendência que deve manter-se por causa de um bloqueio atmosférico. Por enquanto, os prognósticos climáticos indicam um novembro com menor volume de chuvas na Fronteira Oeste, mas de janeiro até março próximo das médias.


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