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17.10.2020 | IMPORTAçãO - por Estadão Conteúdo

Após o arroz, governo zera taxa de importação de soja e milho

Ideia é aumentar a oferta dos grãos internamente para estimular a competição e aliviar os preços, após boa parte da produção ser exportada

Com os preços em alta no mercado brasileiro, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) zerou a tarifa de importação da soja (e de derivados como óleo e farelo) e do milho, segundo apurou o Estadão/Broadcast. O órgão que reúne representantes dos ministérios da Economia, Relações Exteriores, Agricultura, além da Presidência da República, se reuniu nesta sexta-feira, mas nenhum comunicado foi divulgado após o encontro.

A ideia é aumentar a oferta dos grãos internamente para aumentar a competição e puxar os preços para baixo. Com o real desvalorizado favorecendo os preços no mercado externo, os produtores de soja e milho destinaram a produção para a exportação, o que aumentou o preço dos produtos vendidos no Brasil. O pedido para zerar a tarifa partiu de produtores de proteína animal, que usam os insumos em ração.

No mês passado, a Câmara já havia zerado a tarifa de importação do arroz. O governo estabeleceu uma cota de 400 mil toneladas de arroz até o fim do ano que podem entrar no País sem a taxa, montante vale para o arroz com casca e o beneficiado. Na época, a decisão visava conter a disparada do preço do arroz - o pacote de cinco quilos, que era vendido por cerca de R$ 15, chegou a custar R$ 40 em alguns sites.

A isenção fez disparar as compras de arroz no exterior. De acordo com dados do Ministério da Economia, houve aumento de 1.295% na importação de arroz com casca, quando foram compradas 51,3 mil toneladas, e de 55,9% nas compras de arroz sem casca, com importação de 73,9 mil toneladas. Atualmente, o pacote de cinco quilos é encontrado por cerca de R$ 20 a R$ 25 nos supermercados.

Alta no preço

A soja e o milho não chegam a faltar no mercado brasileiro, mas o preço alto preocupa o governo e os produtores de carne. No caso da soja, depois de embarques recordes para o exterior, o País passa por entressafra e a nova produção só chega ao consumidor no final de fevereiro. Já no milho, apesar de o país estar colhendo a segunda safra, boa parte da colheita já foi vendida e uma nova safra só chega em janeiro.

Segundo dados do Ministério da Economia, o Brasil exportou US$ 27,162 bilhões de janeiro a setembro, 27,8% a mais do que no mesmo período do ano passado. Mais de 70% das vendas foram para a China. No mesmo período, as importações somaram US$ 160 milhões, alta de 314,7%, quase a totalidade vindo do Paraguai.

Já as vendas de milho recuaram em relação ao ano passado, quando o Brasil teve uma safra recorde, caindo 32,1%, para US$ 3,308 bilhões. Os principais destinos no período foram Japão, Vietnã e Taiwan. As importações somaram US$ 109 milhões, recuo de 7,3%, e vêm principalmente do Paraguai e Argentina.


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