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01.05.2020 | CAPA

Década perdida

Gaúchos tiveram prejuízo nas últimas 10 safras, segundo Cepea/Esalq

 O cenário de uma lavoura que reduz ano a ano no Brasil, mesmo no Rio Grande do Sul que obtém as mais altas produtividades nacionais, retrata a dificuldade que a orizicultura gaúcha enfrenta para sobreviver. Para o economista Lucílio Alves, do Cepea/Esalq/USP, a redução da área no país está relacionada com a perda de competitividade frente a outras culturas e a falta de renda.

O Cepea mostra que o patrimônio investido em arroz no estado não foi remunerado entre as safras 2009/10 e 2018/19. Nas 10 temporadas, a margem bruta das lavouras em áreas próprias até foi positiva, ou seja, a receita bruta superou o custo operacional (desembolso).

“Entretanto, ao adicionar o custo de depreciação das máquinas, de implementos e de benfeitorias, o orizicultor gaúcho acumulou margem líquida negativa na maioria das safras, sendo positiva apenas em três temporadas: 2009/10, 2013/14 e 2016/17. Nos demais anos-safras, o produtor não conseguiu recuperar o investimento”, diz nota do Centro.

A renegociação de dívidas é pauta permanente da orizicultura, principalmente devido à frustração das safras recentes. Dados de 10 anos de painel do Cepea/CNA, que representam o modelo de propriedade de arroz na região Uruguaiana (RS), demonstram que a situação pode ser ainda pior, tendo em vista que o produtor carrega dívidas sobre o patrimônio investido e pode ter, por sua vez, comprometido a sustentabilidade do negócio.

Considerando-se as safras de 2009/10 a 2018/19, o arrozeiro de Uruguaiana só não pagou o Custo Operacional Efetivo (COE) nas duas últimas. O alento vem do fato de que os ganhos de temporadas anteriores ainda compensam as perdas recentes. Nessas temporadas, a margem bruta de produtores que cultivaram o arroz em áreas próprias teve ganho médio de R$ 683,91/ha sobre o COE, em termos reais (deflacionados pelo IGP-DI), ao ano.

No período analisado, a rizicultura acumulou, em termos reais, resultado negativo, de R$ 946,55/ha, ou seja, o produtor não compensou a perda de valor do seu patrimônio imobilizado que foi investido para produzir o grão, diz a análise do Cepea/Esalq.

Sobre o Custo Total (CT), que adiciona a remuneração do capital investido, o orizicultor somou prejuízo de R$ 7.667,35 em cada hectare – neste caso, não foi computado o custo da terra.
Na prática, os cálculos mostram que a produção de arroz em Uruguaiana, nas 10 últimas safras, não foi sustentável economicamente para remunerar os investimentos em infraestrutura e permitir que o produtor renovasse seu parque de máquinas e benfeitorias com capital próprio.

Nessa situação, uma das saídas para reestruturação ou investimento de orizicultores está no financiamento, que, por sua vez, não apresenta juros atrativos na atual conjuntura econômica. Outra opção (ou necessidade) é manter a infraestrutura como está, às vezes com tecnologias menos eficientes frente a atuais e/ou que exijam onerosos serviços de manutenções.

ARRENDAMENTO
Para os especialistas do Cepea/Esalq, cabe lembrar que áreas arrendadas têm grande participação na lavoura arrozeira, causando maior desembolso que o demonstrado. Ponderando as áreas de arrendamento, sobre o COE, o produtor ainda teve margem líquida positiva, de R$ 320,46/ha, em média, por safra. Já sobre o CT, o orizicultor acumulou prejuízo de R$ 1.130,19/ha por safra ou R$ 11.301,88/ha no acumulado das 10 temporadas – os efeitos da inflação foram considerados.

Os efeitos do endividamento na orizicultura também repercutiram sobre a capacidade de mobilização de recursos desse produtor.

Nos painéis acompanhados pelo Cepea, observou-se crescente necessidade de terceiros no financiamento, além de juros mais elevados. Até a safra 2014/15, o produtor financiava 70% do custo de arroz com capital próprio e juros controlados que não ultrapassavam 9% a.a. Na safra 2015/16 em diante, o orizicultor começou a depender mais de outras fontes de crédito e com taxas mais elevadas, sendo que, especificamente, essas fontes somavam mais de 70% do recurso captado e juros superiores a 20% a.a.


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