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01.05.2020 | ENTREVISTA

Parceria além da lavoura

 Unir forças é parte das soluções para que a lavoura de arroz gaúcha supere suas dificuldades, otimize o uso de recursos, reduza os custos e busque rentabilidade. A sentença é do engenheiro agrônomo José Mathias Bins Martins, 54 anos, sócio-proprietário da Fazenda Cavalhada e diretor-técnico da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), recentemente eleito presidente da Cooperativa Arrozeira Palmares, de Palmares do Sul (RS). Neto de pioneiros da orizicultura em Mostardas e Palmares e atuando como agropecuarista, produtor de sementes e dirigente da indústria, Zé Mathias aprofundou seus conhecimentos e compartilha suas opiniões nesta entrevista à Planeta Arroz.

Planeta Arroz – Como chegou à presidência da Cooperativa Palmares?
José Mathias – Assumi o cargo em fevereiro. Sou sócio há 20 anos e por 18 fiz parte do Conselho Fiscal ou de Administração. Em 2018 voltei ao Conselho de Administração, formado por nove pessoas. Em 2019 fui diretor-consultivo, em 2020 assumi a presidência. O trânsito entre colegas arrozeiros e na indústria, além da filosofia cooperativista, ajudou a aceitar a missão.

Planeta Arroz – Quais os planos de expansão?
José Mathias – Temos 160 sócios, ótimas estrutura e equipe, uma marca excelente. A meta é ampliar em 10% as nossas vendas e avaliamos trabalhar com soja. Nosso arroz é o primeiro no país com Selo de Denominação de Origem (D.O). O Palmares Gold – Especial Gourmet é certificado, suas características não podem ser reproduzidas em nenhum outro lugar e todo o processo é rastreável. Isso garante o consumo de um grão com máximo sabor, rendimento e qualidade, creditadas pelo Instituto Nacional Propriedade Intelectual (Inpi) e Aproarroz. A Planície Costeira Externa apresenta condições de relevo, solo e clima próprias, peculiares, que resultam em grão vítreo com rendimento, aroma e sabor superiores.

Planeta Arroz – Isso impulsiona as vendas?
José Mathias – É um diferencial e parte da estratégia para ampliar nossa posição no mercado. Este ano as vendas do beneficiado começaram bem em janeiro e fevereiro, praticamente atingindo a meta de crescimento. Em março, porém, o varejo esperava queda de preços pela oferta da nova colheita e as vendas andaram devagar, com pressão baixista. Então a pandemia fez explodir o consumo. Em um dia, 16 de março, vendemos o equivalente a um mês e meio.

Planeta Arroz – O que mudou no mercado a partir de março?
José Mathias – A demanda. No mercado doméstico os consumidores foram às compras por causa da quarentena e o mercado exportador foi favorecido pelo dólar valorizado, que tornou o arroz gaúcho muito competitivo no comércio mundial. Com mais pedidos do varejo nacional e dos importadores, os preços reagiram. Ao mudar a relação tradicional entre suprimento e consumo, a demanda ajudou o arrozeiro a dar um pouco as cartas ao vender a matéria-prima e buscar preço mais favorável após cinco safras de cotações abaixo do necessário.

Planeta Arroz – Sendo arrozeiro e dirigente industrial, o senhor consegue ver os dois lados da moeda...
José Mathias – Sim. De maneira geral há coisas a ajustar na relação entre indústrias e agricultores, mas ultimamente ambos vinham com margens apertadas. A queda de consumo, os altos custos de produção e uma pressão do varejo para comprar barato, e usar promoção de arroz a preço baixo para chamar público, levaram as indústrias a disputarem espaço nas gôndolas pela menor cotação. Uma espécie de jogo de rouba monte para garantir presença nos supermercados. É uma equação difícil de fechar, pois essa política favorece o varejo e o consumidor, mas sufoca os demais elos da cadeia.

Planeta Arroz – Qual a diferença entre a cooperativa e uma indústria comum?
José Mathias – Muitas, a começar pela gestão voltada ao interesse do associado. Aqui há uma transparência muito grande, o produtor tem voz, voto e ainda recebe resultados num processo participativo. Se busca que estes dois elos sejam devidamente remunerados diante das circunstâncias do mercado e da realidade da lavoura e da cooperativa.

Planeta Arroz – No que consiste a Parceria das Cavalhadas?
José Mathias – Meu irmão, Leandro, e eu plantamos 1.100 hectares de arroz e 500 hectares de soja na temporada. Há oito anos adotamos o plantio direto e avançamos na rotação arroz/soja. Com o domínio da tecnologia e a simplificação do processo, reduzimos o tempo de uso das máquinas no preparo de solo, o que permitiu essa parceria. Na safra 2018/19 terminamos a semeadura do arroz em 20 de outubro e da soja em 10 de novembro, melhor época indicada. Soube que meus vizinhos estavam pensando em investir em máquinas e, conversando, percebemos que poderíamos complementar nossas necessidades sem precisar comprometer parte da renda num grande investimento. Como somos próximos, a origem das propriedades é a mesma e temos afinidades pessoais e profissionais, firmamos a parceria operacional da Fazenda Cavalhada com a Parceria Cavalhada, do Alexandre e do André Velho, e chamamos Parceria das Cavalhadas. Os parques de máquinas se complementam, reduzindo a ociosidade, racionalizando o uso e garantindo as operações no momento adequado, sem exigir mais investimentos.

Planeta Arroz – Como funciona?
José Mathias – O maquinário das propriedades se complementa. O consultor Flávio Cazarolli, da Foco Rural, ajudou a estabelecer o formato e os cálculos de custo e uso dos equipamentos. Em 2019/20, mesmo com o outubro adverso, terminamos o plantio em 2 de novembro, semeando 1.500 hectares. É melhor diluir o custo em 2.400 hectares, contando a soja, do que nos 1.600 da nossa propriedade. Há produtores com a estrutura de máquinas superdimensionada pelo avanço do manejo. Outros precisam, mas os resultados não permitem investir, ou terão que assumir uma dívida que o risco da atividade não recomenda. A parceria é uma solução.

Planeta Arroz – Como definem que lavoura será plantada primeiro?
José Mathias – Temos a mesma assistência técnica, do Paulo Osório e o Eduardo Muñoz, da Porteira Adentro, isso facilita o planejamento estratégico. As produtividades de soja e arroz foram muito parecidas e devem ser unificadas no futuro. Não fechamos a conta, mas estimamos que esse modelo reduz R$ 300,00 por hectare no custo. Parece pouco, mas multiplicado por 2.400 hectares faz diferença.

Planeta Arroz – Mais produtores poderão adotar o sistema?
José Mathias – A união fortalece. O que precisa ser observado é que isso vale para agricultores que têm sintonia, boa vontade, relação franca de amizade e negócios, confiança mútua e entendem que se trata de uma parceria que demanda planejamento. Hoje é operacional, amanhã pode ser outro modelo. O resultado será o mesmo se você faz sempre a mesma coisa. A crise obriga a pensar, encontrar soluções e reagir. O produtor chegará nesse ponto por necessidade, cedo ou tarde.

Planeta Arroz – Em novembro o maquinário ficou subutilizado?
José Mathias – Não. Ao terminarmos a semeadura ainda havia a nossa volta 1.500 hectares de arroz a serem plantados por outros agricultores, e nossos 800 hectares de soja. Em determinado momento precisamos de trator mais potente e pegamos emprestado, em contrapartida cedemos dois tratores com plantadeiras para o vizinho usar na semeadura. Em máquinas, a Parceria das Cavalhadas realizará investimentos conjuntos daqui para a frente.

Planeta Arroz – O que esperar do mercado neste ciclo 2020/21?
José Mathias – Colhemos boa safra. Creio que apesar da pandemia e as incertezas, teremos um bom ano para o arroz, preços mais justos. Estou otimista. O consumo tende a uma evolução, as pessoas estão reaprendendo a comer em casa, viram que o arroz é saudável, fácil e rápido de fazer e barato. O auxílio social do governo será importante e as campanhas de solidariedade ajudarão a alimentar as famílias em vulnerabilidade, e temos a exportação em alta. Não será como em março e abril, mas espero estabilidade de consumo no resto do ano. O arrozeiro deve manter o cultivo nas áreas mais produtivas, diversificar e trabalhar pelo equilíbrio do mercado e a garantia de renda. É cedo para dimensionar por causa da seca.


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