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26.06.2020 | ANáLISE DE MERCADO - por Patrícia Loss - Jornal do Povo

Com grandes empresas fazendo posição, arroz reage no final da semana

Preços em junho marcaram passo e até retrocederam, mas desde a última quarta-feira voltaram aos patamares próximos do final de maio

imagem Santos: estabilidade se explica pelo comportamento do consumo e menor competitividade externa Foto: Divulgação

Depois de quase um mês marcando passos e até retroagindo, o mercado de arroz voltou a elevar suas referências e aproxima-se de valores praticados no final de maio deste ano, com referência de R$ 70,00 por saca de 50 quilos, em casca, colocada no Porto de Rio Grande.

Diferentemente de março, abril e maio quando a demanda interna elevava os preços, e de abril e maio, quando as exportações alavancavam as cotações, junho foi um mês de menor movimentação. As tradings praticamente saíram do mercado pela oscilação do dólar e o comércio interno perdeu força uma vez que o varejo e os consumidores estão estocados pelas compras de pânico realizadas nos últimos meses por causa da Covid-19.

A mudança do perfil do mercado na semana atual está associada a grandes indústrias que foram ao mercado fazer posição na Zona Sul. Ainda que estivessem liquidando o produto em seus armazéns na faixa de R$ 65,00 nas últimas semanas, buscaram grandes produtores para novas aquisições, que foram fechadas na faixa de R$ 68,00 em Pelotas, o que corresponde a R$ 70,00 posto no porto de Rio Grande. São produtores capitalizados, que já fizeram posição no mercado, dispõem de grandes volumes e têm o privilégio de só venderem se considerarem vantajoso.

“Desde o início do mês os produtores recuaram na oferta, quando o cenário interno e a saída das tradings do mercado sinalizavam cotações descendentes e baixa liquidez. Houve negócios por até 2 reais abaixo, no porto, entre R$ 68,00 e R$ 69,00. Até terça-feira passada a comercialização vinha morna, até uma oferta pouco maior que a demanda. Mas, bastou o posicionamento de uma grande indústria e o cenário mudou a partir de quarta-feira, e gerou uma reação em cadeia. A empresa buscou volume com grandes produtores, que têm poder de barganha e de sinalizar seus preços. Com isso, as indústrias de menor porte e as exportadoras, ao sondarem os vendedores, souberam que o comércio já estava referenciado de volta neste patamar dos R$ 70,00”, explica Cleiton Evandro dos Santos, analista da AgroDados/Planeta Arroz.

A partir desta informação o mercado do casca movimentou-se, com negócios reportados em Alegrete a R$ 63,00, livre, por 50 quilos de arroz em casca 60x8. É um valor que, descontando frete e taxas, equivale a um valor entre R$ 69,00 a R$ 70,00 colocado no porto. “Mas, são negociações que uma semana atrás o rizicultor pedia R$ 65,00 livres. Então, nota-se que tanto o agricultor quanto a indústria estão buscando um meio termo, por enquanto, mas que os negócios voltaram a fluir”, acrescenta Santos.

Segundo ele, a virada de mês costuma aquecer as compras. “Se é bem verdade que os consumidores se abasteceram, até com exagero na segunda metade de março, também é verdade que aquele volume para dois, três meses de estoques já deve estar acabando e eles voltarão, gradativamente, aos supermercados para a demanda normal. Isso se não tivermos uma segunda onda da pandemia, que poderia gerar o fortalecimento dos negócios do arroz beneficiado ao consumidor final. De qualquer modo, mesmo que perceba que não vai faltar arroz, e a safra gaúcha de 7,84 milhões de toneladas ajuda neste sentido, diante destas incertezas, quem volta às compras tem a tendência de levar um pouco mais por precaução, o que deve fazer com que 2020 seja um ano de consumo acima da média”, explica o analista de Planeta Arroz.

INTERNACIONAL

O câmbio mais estabilizado entre R$ 5,20 e R$ 5,40 – que é a projeção do dólar para o final do ano, também é uma boa notícia. “Com a retração dos preços internacionais e a oscilação do dólar, perdemos um pouco de competitividade. O Uruguai tem sido mais efetivo em junho, enquanto as tradings que operam no Rio Grande do Sul precisam travar o dólar na faixa de R$ 5,05 a R$ 5,10. Isso não viabiliza negócios como quando estávamos travando o dólar a R$ 5,75 a R$ 5,80. Mas, mantendo-se a R$ 5,30 já começamos a ter mais oportunidades. O Paraguai também voltou a cotar preços internacionais, com a melhoria da navegabilidade no Rio Paraná. Na próxima semana teremos uma grande disputa no mercado internacional, e esperamos vencê-la, em especial com essa forte alta em que o dólar operou nesta sexta-feira com referência acima dos R$ 5,40”, afirma Santos.

Ainda segundo Cleiton Evandro dos Santos, o Brasil deve superar as 200 mil toneladas de exportação, novamente, em junho. “Mas, ainda que haja resíduos das boas vendas realizadas em abril e maio, a tendência é da remessa de volumes menores em julho, justificando este hiato dos 20 primeiros dias de junho”, observa. Para ele, a partir de agosto, exceto se o câmbio superar os R$ 5,50, o Brasil terá mais dificuldades para exportar pela força com que deve entrar no mercado os Estados Unidos.

“Ainda assim, teremos nichos importantes com os quebrados e o beneficiado, os clientes fidelizados por qualidade e um mercado interno bastante ajustado, o que poderá ser fator de manutenção dos preços ao produtor e estabilização do patamar do varejo e ao consumidor”, acrescenta.

Para o analista, o que pode mudar este panorama para uma tendência baixista seria uma estagnação nas exportações e no mercado interno, associadas à uma oferta maior para os produtores quitarem financiamentos e dívidas de julho a novembro, e o anúncio de uma intenção de plantio muito acima de 980 mil hectares. “Mas, teriam que combinar muito todos esses efeitos negativos, a ponto de superar a expectativa de uma balança comercial positiva e de um estoque de passagem muito baixo“, afirma.

“Hoje, nossa consultoria trabalha com a expectativa de um milhão de hectares, mas o ideal mesmo seria o Rio Grande do Sul não passar de 950 mil, pois já percebemos que esta é a dimensão ajustada do mercado para garantir a exportação de 1,2 a 1,5 milhões de toneladas e o abastecimento interno com preços competitivos ao produtor. Com essa área e um clima favorável, a lavoura gaúcha pode superar 8 milhões de toneladas”, explica Cleiton Evandro dos Santos. Para ele, outro grande fator que deve ser observado é o clima.

“Se os bons preços impulsionam, o grande limitante de um aumento de área, no momento, é a disponibilidade de água para a irrigação. As barragens seguem bem abaixo dos seus níveis, em especial na Depressão Central, e na tomada de decisão o agricultor não pode contar com uma capacidade de irrigação que não dispõe. É um risco enorme para um ano que deve ser de transição entre um clima neutro e La Niña”, agrega.

INDICADOR

O indicador de preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul, Esalq – Senar/RS fechou em queda nesta quinta-feira, dia 25, cotando 50 quilos (58x10), à vista, posto na indústria, a R$ 62,20. Campanha e Depressão Central mantêm preços abaixo das demais regiões, enquanto a Zona Sul opera acima dos R$ 66,00 segundo o referencial. Pelo câmbio do dia, a saca equivalia a US$ 11,68. Em junho o indicador acumula queda de 0,5%, depois de um decréscimo de 2,7%. Desde 13 de junho o indicador vem reduzindo as perdas no mês, mas ainda não conseguiu retomar a tendência de alta dos meses anteriores.




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