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18.05.2020 | ANáLISE DE MERCADO DE ARROZ - por Cleiton Evandro dos Santos - AgroDados - Planeta Arroz

Demanda e dólar mantêm preços em elevação

O arroz foi valorizado na semana que passou em todas as categorias e chegou a R$ 70,00 no porto de Rio Grande/RS

imagem Colheita aproxima-se dos números finais, mas cotações ainda avançam Foto: Divulgação

Com a colheita gaúcha praticamente concluída e alcançando um recorde de produtividade, a primeira quinzena de abril manteve o ritmo acelerado de valorização do arroz no Sul do Brasil, com reflexos nas demais regiões. A desvalorização do real e a maior demanda nacional e internacional dos últimos 60 dias seguem fazendo pressão altista sobre as cotações. No Norte de Santa Catarina os preços foram atualizados em R$ 3,00 - para R$ 55,00 - nesta segunda-feira, enquanto o Sul do estado elevava as cotações médias para R$ 57,00.

Como a segunda-feira é dia de sondagens no Rio Grande do Sul e pouco volume de negócios, houve foi registrada a segunda queda seguida nas cotações do indicador de preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul Esalq-Senar/RS. Na sexta-feira os preços haviam caído de R$ 60,44 para R$ 60,42 na última sexta-feira (equivalência a US$ 10,36) registrando acumulado de 5,59% no mês.

Nesta segunda-feira, em reais, os preços caíram 10 centavos, para R$ 60,32, acumulando 5,42% de variação positiva no mês. Em dólares o grão foi valorizado, considerando que a moeda norte-americana sofreu desvalorização de 2% (para R$ 5,72 por dólar) na equivalência com o valor nacional. Assim, a saca, em casca, de 50 quilos (58x10) foi ao maior valor em dólar em abril: US$ 10,36, apenas um centavo mais alto do que na última sexta-feira. 

Ocorre que o mercado tem se concentrado em negociações entre as terças e as quintas-feiras e muitas empresas retraem nas sextas e se resumem a sondagens ou negociações de oportunidade nas segundas-feiras. A indústria vem enfatizando as dificuldades cada vez maiores de repassar os custos da matéria-prima, enquanto o produtor aproveita o momento para estipular seus preços de venda.

Com o arroz brasileiro barato no mercado internacional, fica mais difícil para as indústrias e o varejo nacional importarem arroz. Exemplo disso é que nos supermercados do Triângulo Mineiro, os preços médios do pacote de arroz do tipo 1, de cinco quilos, deram um salto de R$ 13,00 para mais de R$ 16,00 na semana que passou. A região é extremamente dependente de arroz paraguaio, mas já começa a rever este conceito.

De maneira geral, todas as categorias do grão ao longo da cadeia produtiva obtiveram valorização. Exceção feita aos quebrados que mantiveram estabilidade, mas depois de registrarem uma alta muito significativa nos últimos 60 dias.

O preço médio ao produtor superou os R$ 60,00 no Rio Grande do Sul, com indústrias pagando até R$ 65,00 no Sul e na Planície Costeira Interna por grão de melhor qualidade (mais alto rendimento de engenho) e tradings pagando até R$ 70,00 (colocado no porto de Rio Grande, pagamento em junho) em parte da carga de um barco, que não chegou a ser concluída na semana passada.

Como nessas operações são utilizados grãos de várias fontes, adquiridos em épocas diferentes, o que conta é a média. Por exemplo, se o navio está recebendo grão adquirido abaixo dos R$ 50,00 entre fevereiro e 15 de março e abaixo dos R$ 48,00 em novembro/dezembro de 2019, há margem para pagar até mais de R$ 70,00 em parte de uma carga. A diferença de câmbio tem gerado essa facilidade. Mas, confirma-se aquela expectativa, no momento, de um descolamento entre as cotações para o mercado doméstico e o internacional. Em especial nos grãos de 55% a 58% de inteiros.

Por outro lado, as indústrias têm reclamado bastante da volta das dificuldades para repassar os preços da matéria prima ao varejo. Tanto que, em geral, os preços do arroz beneficiado evoluíram pouco na semana que passou. As maiores altas foram registradas na matéria-prima, e por isso as empresas seguem liquidando estoques e investindo no arroz a depósito, e também no varejo. O meio de mês elevou as cotações ao consumidor em todas as capitais pesquisadas, demonstrando que gradativamente a valorização do grão vai chegando ao consumidor.

CDO

Muitos atacadistas têm renegociado os prazos sobre os pedidos realizados em março, ampliando prazos de 30, 45, 60 dias para 60, 90 e 120 dias. Isso explica, por exemplo, o registro de um avanço de apenas 5,4% em março (604,7 mil toneladas) sobre fevereiro e de 26% em abril (761,7) sobre março nas saídas de arroz em casca e beneficiado do Rio Grande do Sul, pelo indicativo da Contribuição para o Desenvolvimento da Orizicultura (CDO). Comparando março de 2020, mesmo com o isolamento social iniciado a partir de 16 de março e as compras de pânico, com o mesmo mês em 2019, verifica-se uma queda de 5,2% (638,0 mil toneladas em 2019) no volume carregado. Já na comparação, ano a ano, do mês de abril, há um aumento em 2020 de 21% sobre as 629,8 mil toneladas.

A explicação está exatamente no fato de os pedidos terem crescido em março/abril, mas de forma escalonada. Como a indústria deu pronta resposta ao varejo – beneficiada pela época de colheita – não houve maior drama com relação a preços e nem mesmo a abastecimento. O arroz que chegou a faltar nas gôndolas de poucos varejistas não teve por causa o risco de desabastecimento, que nunca houve, mas o tempo que estas lojas levaram para transportar os pacotes desde os estoques/armazéns e centros de distribuição.

Setores da indústria chegaram a citar um “giro” equivalente a dois meses e meio de um ano normal ao longo da cadeia produtiva em 20 dias, mas será necessário acompanhar mais atentamente os próximos relatórios da CDO.

INTERNACIONAL

O mercado internacional teve uma semana marcada pela gradativa volta à normalidade das exportações asiáticas, com o fluxo no Vietnã e na Índia pouco afetados pela retomada gradual da estrutura de logística e transporte. Por outro lado, a Tailândia segue com problemas por ter preços um pouco mais altos que seus concorrentes, situação que decorre de uma forte valorização da sua moeda frente ao dólar desde 2019, e uma estiagem que afetou sua primeira safra e também afetará o resultado de sua segunda colheita.

EUA

O Brasil tem evoluído no mercado dos países do Atlântico por conta da falta de estoques à venda nos Estados Unidos desde março. Os norte-americanos estão carregando apenas o que venderam e com mínima oferta de produto para novos contratos, quase todos de baixa qualidade e alto teor de quebrados. No entanto, o país da América do Norte alcançou 70% da área cultivada, com 40% já em emergência para a safra 2020. O maio estado produtor, o Arkansas, enfrenta dificuldades de cumprir o plantio de toda a área prevista por conta do excesso de chuvas, mas o USDA acredita num aumento produtivo de 17% e de 7% nos estoques disponíveis para comercialização nos Estados Unidos a partir de setembro.

EXPORTAÇÕES

Depois de confirmarmos com exclusividade o envio de dois barcos de arroz em casca para o México, é a vez de informarmos que o Brasil tem realizado vendas de arroz branco, em contêineres, também para este destino. A primeira venda foi realizada no final de 2019 e desde o final de abril os mexicanos voltaram às compras, mas de maneira pontual. 

O câmbio tem ajudado, pois em termos de arroz beneficiado os brasileiros estão concorrendo com o Uruguai, país vizinho que colhe uma safra histórica em produtividade, mas não tão eficiente em qualidade de grãos. O clima e uma pequena alteração no tipo de sementes utilizada em parte das áreas, resultaram em maior quantidade de quebrados em algumas faixas de lavouras.

No Rio Grande do Sul, em especial na Região Central e na Planície Costeira Interna, e parte da Fronteira Oeste, foram verificadas estas “manchas” de maior percentual de quebrados, que são creditadas à qualidade da semente, às variedades utilizadas, à amplitude térmica e também à falta de água na irrigação. Em algumas regiões gaúchas a indústria fala em média de 2 a 3 pontos inferiores na qualidade da matéria-prima.

Nota-se também que os Estados Unidos têm buscado grão no Brasil. Parte, em razão dos preços, é para abastecer seus clientes. Compensa mais comprar no Brasil e repassar ou formar um mix para atender seus tradicionais mercados, do que adquirir internamente por altíssimos preços e sem garantia de qualidade.

MUNDO

As primeiras estimativas para a próxima safra mundial já estão colocadas pelo USDA e também pelo AMIS, estabelecendo uma previsão de que o consumo – em função do Covid-19 – tenha um avanço de 8 milhões de toneladas, a produção global tenha uma pequena retração e, ainda assim, tenhamos um crescimento de 4 milhões de toneladas nos estoques globais, que já são recorde (182 milhões de toneladas, base beneficiado) atualmente. A FAO, no entanto, aponta uma retração de 9% do mercado internacional em 2019, e estagnação para 2020 em função dos problemas de logística e seca na Ásia, com as transações ficando em torno de 44,5 milhões de toneladas.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preços médios de R$ 60,30 para a saca de arroz de 50 quilos (58x10), em casca, no Rio Grande do Sul. O pacote de 60 quilos, branco, Tipo 1, é referenciado a R$ 140,00, enquanto o canjicão tem preço médio de R$ 95,00 por 60 quilos. A quirera também se manteve em R$ 76,00 na semana que passou e o farelo de arroz foi cotado a R$ 590,00 a tonelada, FOB/RS.

PREÇO AO CONSUMIDOR

Com necessidade de repassar os custos ao consumidor final e com as vendas mais fracas – depois da formação de estoques por parte da população – o varejo elevou os preços médios em todas as seis capitais pesquisadas por AgroDados/Planeta Arroz. O volume de promoções, porém, diminuiu. A média voltou a firmar-se em torno de R$ 18,00 para o pacote de 5 quilos, tipo 1, branco. Os pacotes de um quilo têm preços médios de R$ 3,65 a R$ 3,80 na maioria das lojas pesquisadas.




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comentários (1)

18/05/2020 - Edereson Diehl ( - AC)
Até E.U.A. reconhecendo a qualidade do nosso arroz, vamos que vamos . O arroz se tornou ouro branco.

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