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18.05.2020 | ANáLISE DO MERCADO MUNDIAL DE ARROZ - por Patrício Méndez del Villar - infoarroz.org

Preços mundiais ainda sob pressão

A análise do economista Patrício Mendez Del Villar, do Cirad e InterArroz, sobre o comportamento do mercado mundial em abril/maio

imagem China pode ter papel importante como reguladora do mercado mundial Foto: Arquivo PA

Em abril, os preços mundiais do arroz subiram novamente em um mercado sob pressão. Embora não houvesse demanda de importação significativa, o mercado passou por uma minicrise durante a primeira quinzena do mês em que o Vietnã e, mais tarde, a Índia, anunciaram a suspensão de contratos de exportação para evitar escassez nos mercados domésticos e, também, devido a problemas logísticos para encaminhar o arroz para os portos de embarque.

A retomada de suas exportações, embora um pouco limitada, contribuiu para acalmar os preços internacionais, marcando um declínio – a começar pelos preços tailandeses, em forte pressão entre meados de março e meados de abril. Graças a uma oferta mais diversificada, países importadores como Filipinas e Malásia esperam conseguir grandes quantidades. Assim, as Filipinas planejam comprar cerca de 1,2 Mt nos próximos dois meses, parte dos quais estariam sob um contrato público (G2G) com o Vietnã e o restante em uma licitação lançada aos principais exportadores asiáticos.

A China, por sua vez, que poderia ter desempenhado um papel ativo como reguladora no mercado mundial, concentra-se em seu mercado interno. As autoridades decidiram reavaliar os preços ao produtor, pela primeira vez desde 2014, para dar novo impulso à produção local e, assim, se expor o menos possível a choques nos mercados internacionais. Essa reação, que é bastante normal em tempos de altas incertezas sanitárias e econômicas, não seria um caso único.

Vários países importadores estão adotando estratégias semelhantes ou tendem a reduzir o consumo de arroz. Consequentemente, a FAO revisou suas previsões para o comércio mundial para 44,5 Mt em 2020 contra as 45,1 Mt previstas anteriormente.

O consumo mundial também pode diminuir e atingir 112 Mt em 2020, contra 113,4 Mt previsto em março passado.

Em abril, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) saltou 22,1 pontos para 236,1 pontos (base 100 = janeiro de 2000) contra 214,2 pontos em março. No início do ano, o índice estava em 194 pontos. Em meados de maio, o índice IPO ficou estável em cerca de 235 pontos, graças à redução dos preços tailandeses e à estabilidade dos preços indianos.

Produção mundial

Segundo a FAO, a produção mundial em 2019 seria estabelecida em 770 Mt (511,2 Mt de arroz beneficiado), 0,6% a menos que em 2018. A produção chinesa caiu 1,2%, enquanto na Índia melhorou 1%, assim como em Bangladesh. No Sudeste Asiático, especialmente na Tailândia, Vietnã e Birmânia, a produção teria caído devido ao clima seco, forçando os produtores a reduzir as áreas de arroz e substituindo-as por culturas mais resistentes à seca.

Na África Subsaariana, apesar das chuvas insuficientes, especialmente na África Ocidental, a produção teria aumentado 3%. Em Madagascar, as chuvas foram irregulares, mas os rendimentos teriam melhorado. No resto do continente africano, a produção permaneceu relativamente estável. No Mercosul, as colheitas estão quase completas e a produção de arroz em 2020 teria aumentado graças à melhor produtividade. Nos Estados Unidos, as colheitas apresentaram uma queda de 15% em 2019, mas é esperado um aumento em 2020, graças ao aumento das áreas plantadas.

Também é esperado um aumento nas áreas de arroz nas principais regiões produtoras da Ásia, o que deve impulsionar a produção mundial em 2020/2021.

Comércio mundial

Em 2019, o comércio mundial diminuiu 9% para 44,1 Mt contra 48,5 Mt em 2018. Em 2020, as projeções, fortemente influenciadas pela pandemia de Covid-19, indicam uma estagnação do comércio mundial em 44,5 Mt. No entanto, é possível que essas previsões sejam reduzidas devido à diminuição do consumo mundial. Este último poderia aumentar apenas 0,5% em 2020, menos do que o crescimento da população mundial, estimado em 1,2% ao ano.

Em 2019, os principais importadores asiáticos, exceto as Filipinas, reduziram suas demandas de importação. Em contraste, as importações africanas aumentaram 3,6%, para 17,4 Mt, contra 16,7 Mt em 2018. A redução do comércio mundial em 2019 afetou principalmente a Tailândia, onde as exportações caíram 30%. No Mercosul, as exportações mostram um atraso nos quatro primeiros meses do ano em relação ao mesmo período de 2019.

Os estoques mundiais de arroz que terminam em 2019 aumentaram 4,3% para 183,5 Mt contra 175,9 Mt em 2018, atingindo seu nível histórico mais alto. Essas reservas representam 36% das necessidades do mundo. O aumento adicional se deve principalmente à reconstrução de reservas chinesas e indianas, bem como da Indonésia. As reservas dos países exportadores também se recuperaram para 37 Mt, equivalente a 22% do estoque mundial. Novas projeções para 2020 indicam estabilidade a 183,1 Mt, ligeiro declínio de 0,2%. 

Cenários

Na Índia, os preços do arroz subiram 2% em relação a março. Mas o aumento dos preços surgiu realmente na segunda metade do mês, marcando 10% a mais em relação ao início do mês. São os preços mais altos nos últimos doze meses. Essa valorização ocorreu após o anúncio do retorno ao mercado de exportação e o forte interesse dos importadores asiáticos e africanos pelo arroz indiano. Apesar desse aumento, os preços indianos permanecem muito competitivos em relação aos preços tailandeses. Em abril, o arroz indiano 5% marcou US$ 364/t FOB contra $ 358 em março. Em meados de maio, os preços estavam a $ 370. O arroz indiano 25% subiu para $ 346, ante $ 339 anteriormente, tendendo a se estabilizar em $ 350 em meados de maio

Na Tailândia, os preços de exportação subiram 15% em um mês. Mas desde o anúncio da retomada das vendas no Vietnã e na Índia em meados de abril, os preços tailandeses tendem a cair. A demanda por arroz tailandês diminui porque os preços ainda são muito altos em relação aos preços indianos e vietnamitas. A vantagem que teve a Tailândia, graças às limitações de seus concorrentes, durou pouco. As exportações em abril teriam atingido 500.000 t, um pouco acima da média mensal observada desde o início do ano. Em abril, o arroz 100% B teve uma média de $ 559, contra $ 477 em março.

Em meados de maio, o preço já estava abaixo de $ 500, depois da máxima de $ 580 em meados de abril. O Tai parabolizado também subiu para $ 549, contra $ 471 anteriormente. O preço do A1 Super quebrado aumentou, porém mais lentamente, para $ 424, contra $ 402 em março. A redução nos preços tailandeses deve continuar podendo retornar aos níveis do início do ano.

No Vietnã, os preços de exportação aumentaram novamente 12% em um mês. As exportações voltam ao normal, mesmo que tenham sido impostas cotas para vendas externas durante o mês de abril. O Vietnã foi pressionado por seus compradores tradicionais, aos quais deveriam ser dados sinais de confiança, começando pelas Filipinas, cujas reservas são bastante baixas e os preços domésticos tendem a subir.

A redução das exportações vietnamitas, devido também a problemas logísticos nas áreas de produção, teria afetado as vendas em abril, estimadas em 400.000 t, contra 655.000 t em março de 2020 e 726.000 t em março de 2019. A China também estaria aumentando sua demanda por arroz vietnamita. Em abril, o Viet 5% marcou $ 456, contra $ 409 em março. O Viet 25% subiu para $ 431, contra $ 394 anteriormente. Em meados de maio, os preços permaneceram firmes.

No Paquistão, os preços do arroz aumentaram em média 13%. Os preços paquistaneses também estavam sob pressão da demanda de importação para compensar a ruptura temporária da Índia e do Vietnã. Mas o país não está estruturalmente pronto para responder à demanda potencial de grandes importadores asiáticos, como Filipinas e Malásia, cujas necessidades imediatas excedem a disponibilidade atual do Paquistão.

Em abril, o Pak 25% foi negociado a $ 395, contra $ 351 em março. Em meados de maio, os preços tendiam a se estabilizar.

Na China, o mercado de exportação não mostra sinais de recuperação. Pelo contrário, a China está comprando arroz vietnamita. As compras no Camboja também tendem a aumentar, marcando uma média mensal, nos primeiros quatro meses do ano, de 27.000 t contra 22.000 t em 2019. No entanto, em um período de crise sanitaria e incertezas, a China parece favorecer a produção local no médio prazo para garantir o abastecimento do mercado interno. Assim, as autoridades decidiram aumentar o preço ao produtor, pela primeira vez desde 2014, para consolidar a disponibilidade local em caso de possíveis falhas futuras por fornecedores asiáticos.

Nos Estados Unidos, os preços de exportação aumentaram 7%. Existe uma forte demanda dos países da América Central e do Caribe, que buscam fortalecer suas reservas de arroz. Em abril, as exportações atingiriam 300.000 t contra 260.000 t em março. As compras do México permaneceram firmes em cerca de 74.000 t em abril, quase equivalente às compras do Japão.

O preço indicativo do arroz Long Grain 2/4 aumentou para $ 628, ante $ 585 em março. Em meados de maio, o preço continuou subindo para $ 645, o nível mais alto desde abril de 2013.

Na Bolsa de Chicago, os preços futuros do arroz em casca aumentaram 7,8%, para $ 321/t contra $ 297 em março. Em meados de maio, eles permaneciam firmes em $ 340.

No Mercosul, os preços de exportação aumentaram pouco, em comparação aos principais mercados de exportação. As vendas externas cresceram em abril, principalmente no Brasil, onde as exportações aumentaram 75% em relação a março. Os preços sul-americanos são mais competitivos devido à forte depreciação das moedas nacionais em relação ao dólar.

O consumo interno tende a aumentar, principalmente no Brasil, devido às compras preventivas de consumidores no contexto do Covid-19. O preço indicativo médio do arroz brasileiro ficou relativamente estável em $ 206/t contra $ 204 em março, devido ao aumento do dólar.

Em meados de maio, o preço ficou estável em torno de $ 205. As colheitas no Mercosul estão quase terminadas e devem ser melhores do que no ano passado.

Na África subsaariana, os mercados domésticos parecem resistir às tensões dos mercados internacionais. Os preços ao consumidor aumentaram, mas de forma limitada. Além de uma oferta bastante satisfatória, o consumo de arroz tende a disminuir no período do Ramadã, para se concentrar mais nos cereais tradicionais (milheto e sorgo).

A retomada das exportações asiáticas deve tranquilizar os mercados africanos. Mas por outro lado, os governos africanos estão se mobilizando para lançar programas de incentivo à produção local. No entanto, os efeitos dessas políticas não devem ser sentidos por vários meses.




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