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26.03.2020 | ANáLISE DE MERCADO - por Planeta Arroz

Em ano atípico, teto de preços pode ocorrer no primeiro semestre

Fundamentos e um empurrão do dólar e do Covid-19 impactam os preços ao longo da cadeia produtiva do arroz no Brasil

imagem Colheita segue, ainda devagar, em algumas regiões Foto: Divulgação

Com o dólar operando acima de R$ 5,00 e o fortalecimento de consumo causado pelo isolamento de boa parte das famílias brasileiras em suas casas, o mercado do arroz no Brasil vive um ano completamente atípico e pode alcançar o teto de preços ainda no primeiro semestre. A expectativa é do analista de mercados Cleiton Evandro dos Santos, da Planeta Arroz, que tem se debruçado sobre o tema.

Para ele, alguns fatores inesperados se somaram aos fundamentos baseados na menor oferta pela redução de área, atraso no plantio e a seca que atinge o Sul do Brasil desde dezembro e o menor estoque disponível.

“Sabíamos da redução de oferta pela queda de 70 mil hectares plantados e pela interferência do clima – chuvas no plantio, seca na emergência e frio no florescimento -, e o estoque de passagem reduzido por causa do saldo positivo da balança comercial no ano safra encerrado em 29 de fevereiro. Por isso, já se esperava preços mais altos nesta temporada com o equilíbrio entre oferta e demanda”, explica. “O que não tínhamos ainda era clareza sobre a demanda interna, que tem registrado decréscimo, e externa, que oscila de ano pra ano”, prossegue.

Para Santos, com a disparada do dólar a um patamar acima de R$ 5,00 e a pressão de consumo interno por causa do Covid-19, fica mais clara a tendência do consumidor brasileiro adquirir mais arroz. “Quem come fora tende a buscar alternativas e sucedâneos do trigo, como macarrão e fast-food, tem mais opções, mas em casa, em geral, o almoço tem arroz. E, em tempos difíceis como este, se aproveita as sobras no jantar”, completa.

Mas, o analista alerta que esse aumento do consumo não é uma condição permanente. “Em algum momento passará a turbulência e, então, haverá efeito rebote na comercialização, pois encontraremos os lares, o atacado e o varejo abastecidos e estocados, pois os pedidos têm sido antecipados e aumentados para a indústria. “Se acontecer o que estamos prevendo haverá uma retomada gradual da normalidade e em 90 a 120 dias as coisas estarão resolvidas em termos de ameaça viral. É nesse momento que vamos nos deparar com um represamento de produto que pode ser fator de retração de preços”.

Com isso o analista de Planeta Arroz considera que o mercado internacional será balizado pelos preços internos mais um ou dois reais. “As tradings entram aqui com os pedidos sabendo exatamente o que querem e quanto querem pagar. Em geral, forçam para baixo porque têm a leitura da oferta global e o interesse interno em exportar para reduzir a ociosidade das indústrias, entre outros fatores”, frisa.

Ele entende que o Brasil deve ter um bom volume de exportação neste ano comercial. “Porque o estoque dos Estados Unidos já está quase todo comprometido até agosto, quando colhe sua safra; o dólar acima de R$ 5,00 nos torna muito competitivos e porque os países que nos demandam arroz precisarão comprar, pois também tiveram aumento do consumo por causa do vírus. Neste aspecto sou otimista quanto ao mercado externo aquecer a partir de abril ou maio, com a ressalva da pandemia se alastrar e chegar a um nível que atrapalhe a movimentação das cargas”, ilustra.

MERCADO EXTERNO

Diante deste cenário, Cleiton Evandro dos Santos aponta algumas informações relevantes: a América Central abriu o ano comercial com boas compras no Paraguai, este mês o Panamá fechou um contrato de compra de arroz uruguaio por cotações acima das brasileiras e a China veio sondar nossa capacidade de vender-lhe 20 mil toneladas de grão branco.

No caso da China, está sendo cotado, mas a sua preferência é por grãos curtos e médios, o que não é nossa especialidade, e ainda não temos um acordo sanitário com os chineses para exportação de arroz. “Os Estados Unidos levaram 10 anos negociando e o primeiro embarque só foi confirmado depois de dois anos do acordo aprovado. Além disso, os chineses frearam suas exportações – que chegaram a quase 3,5 milhões de toneladas no ano passado. Mas, temos que torcer para dar certo, pois o potencial de compras deles gira em torno de 4 milhões de toneladas”.

PREÇOS

Ao longo da cadeia produtiva o momento é de valorização do arroz. O indicador Esalq/Senar-RS chegou a R$ 50,70, acumulando 2,36% de valorização no mês. O valor equivale a US$ 10,12 por saca de 50 quilos, em casca, 58% de inteiros, colocada na indústria, pelo câmbio de ontem, terça-feira, dia 24. Na Região de Pelotas os valores para arroz de variedades nobres e alto percentual de inteiros chega a ser negociado a R$ 54,00. Empresas de porte médio e pequenas têm ido com maior avidez às compras. Na Zona Sul a safra recém chega a 30%.

Com as demandas aquecidas e o varejo aceitando pagar mais caro por causa do aumento pontual do consumo, a indústria conseguiu valorizar os fardos de arroz de 30 quilos, branco, Tipo 1, e a média chegou a R$ 68,00, segundo pesquisa semanal de Planeta Arroz. O varejo também apresentou aumento de preços, mas ainda não no mesmo patamar, sinal de que tem uma margem maior para negociar com seu consumidor. Em geral, o preço médio do saco de arroz de cinco quilos, branco, Tipo 1, supera R$ 16,50. Ofertas são mínimas, em torno de R$ 14,00 para marcas menos conhecidas.

A média de preços do arroz no Rio Grande do Sul, segundo corretoras do Estado está em R$ 51,00. A saca de 60 quilos, branco, Tipo 1, é cotada a R$ 122,00, todos com valorização. O canjicão, em 60 quilos, é cotado a R$ 80,00, com valorização de 2,5% e a quirera a R$ 64,00, em alta 3,1%. O farelo de arroz também subiu 5% e é cotado a R$ 550,00.

COLHEITA

O tempo seco vem ajudando o produtor de arroz a colher. Depois de um vácuo por causa das chuvas de outubro, que refletiram numa redução do volume sendo colhido, as máquinas retornaram com mais força às lavouras. O Irga estimou extra-oficialmente que a colheita bateu em 36% na última sexta-feira, enquanto a Emater/RS apontou 40% e a Federarroz, 50%. Como o Irga não está divulgando os números da colheita esse ano, que são os oficiais no Estado, os produtores ficam confusos. A indústria, por outro lado, monitora suas regiões e seus fornecedores, e tem números mais aproximados.

Com atenção aos cuidados higiênicos necessários, os arrozeiros não param. Parte está nas lavouras colhendo arroz, parte fazendo o preparo antecipado e parte colhendo soja, milho ou cuidando da pecuária. A condição de seca afetou as culturas alternativas na Região Central, na Campanha e no litoral. A Fronteira Oeste e a Zona Sul, que usam mais sistemas de irrigação, conseguiram produtividades satisfatórias em boa parte das lavouras de soja tanto na coxilha quanto na várzea.

A colheita e o transporte e armazenamento de alimentos são essenciais, tanto quanto o trabalho da indústria para levar os grãos até o consumidor. Mesmo que não esteja previsto em decretos, por causa do Covid-19, o agricultor não tem como abrir mão de colher, pois a safra tem prazo de validade. E seus compromissos também.

PREÇO AO CONSUMIDOR

Os preços ao consumidor têm subido de forma mais importante desde a semana passada. A média de preços alcançou R$ 16,85 com mínimas em torno de R$ 14,00 e máxima em 26,00. O abastecimento tem ocorrido em alta rotação, mas com limitação do volume de compras por consumidor em boa parte dos supermercados. A indústria segue trabalhando, ampliando turnos e fortalecendo as suas linhas de processamento para atender a forte e concentrada demanda do atacado e do varejo. Algumas marcas da preferência de alguns consumidores sumiram no Rio de Janeiro, no Sul Fluminense e no Espírito Santo.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, afirmou que não há risco de desabastecimento por enquanto, e confirmou uma demanda maior de alguns produtos básicos, como o arroz. “As indústrias estão conseguindo nos abastecer de maneira confortável até agora, mas os pedidos estão aumentando e os prazos de entregas são mais curtos para atender a velocidade das compras pelos consumidores”.


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