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01.11.2019 | ARTIGO

RESULTADOS DA POF 2017/2018 CONTÉM DADOS PARA REFLEXÃO DA CADEIA PRODUTIVA DO ARROZ

 O IBGE divulgou recentemente os primeiros resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018. O estudo calcula os gastos correntes considerando outras despesas (7,3%) e despesas de consumo (92,7%), o que mostra o consumo como o mais importante conjunto de custos da estrutura de despesas das famílias.

As despesas com consumo possuem os seguintes componentes e participação percentual: alimentação (17,5%), habitação (36,6%), vestuário (4,3%), transporte (18,1%), higiene e cuidados pessoais (3,6%), assistência à saúde (8,0%), educação (4,7%),recreação e cultura (2,6%), fumo (0,5%), serviços pessoais (1,3%) e despesas diversas (3,0%). Portanto, nos gastos nacionais com consumo, o item alimentação é a terceira maior participação. Por curiosidade, vale mencionar: 0,6% abaixo dos gastos com transporte.

O percentual de despesa com alimentação varia de acordo com a renda, sendo de 22,6% quando os rendimentos foram até R$ 1.908,00 e 7,6% na classe com renda acima de R$ 23.850,00. Considerando pesquisas realizadas anteriormente – Estudo Nacional da Despesa Familiar (Endef) 1974-1975, POF 2002-2003 e POF 2008-2009 –, a POF 2017-2018 é a que apresenta menos participação com alimentação, visto que os resultados foram, respectivamente, 33,9%, 20,8% e 18,8%.

A indagação é por que a participação relativa das despesas com alimentação do brasileiro está diminuindo? O percentual de despesa com alimentação fora do domicílio foi 32,8%, valor maior do que as pesquisas anteriores: 24,1% (Endef 1974-1975), 31,1% (POF 2002-2003) e 32,8% (POF 2008-2009). Essa informação, aliada à pesquisa/diagnóstico realizada pela Embrapa, na qual 60% dos consumidores disseram que nas refeições fora de casa consomem menor quantidade de arroz e que cerca de 10% das famílias substituíram o jantar por lanche, justifica, em parte, a redução de consumo do cereal ocorrida nos últimos anos.

Quanto à distribuição da despesa monetária e não monetária, média mensal familiar com alimentação no domicílio, observou-se que a participação dos cereais, leguminosas e oleaginosas nas POF 2002-2003 e 2008-2009 foi, respectivamente, 10,4% e 8,0% e na POF 2017-18 foi apenas de 5%, sendo maior a participação de carnes, vísceras e pescados (20,2%). Notória a redução de participação nas despesas com cereais, leguminosas e oleaginosas. Essa informação carece de ser desmembrada para que possamos entender se é o custo ou o consumo que está diminuindo.

As estatísticas da pesquisa do IBGE estimulam alguns setores da cadeia produtiva do arroz a refletirem sobre o futuro, principalmente o produtivo e o industrial. Que estratégias adotar para que o arroz não perca mais espaço na alimentação do brasileiro? Para tanto, é fundamental aprofundar em alguns dados, mas, sobretudo, aproximar-se do consumidor. Aliás, essa é a proposta apresentada pela Embrapa via o movimento Arroz e Feijão: A Comida do Brasil.

CARLOS MAGRI FERREIRA
PESQUISADOR DA EMBRAPA ARROZ E FEIJÃO

EDIÇÃO 72

publicado na edição

EDIÇÃO 72
Novembro de 2019

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