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01.08.2019 | ARTIGO

Biotecnologia: ferramenta para a sustentabilidade da lavoura de arroz

 Inúmeros avanços foram obtidos com o melhoramento convencional na cultura do arroz, porém o avanço da ciência transformou o processo de seleção e desenvolvimento de cultivares superiores, permitindo o acesso a informações e ferramentas antes indisponíveis. A biotecnologia disponibilizou várias destas ferramentas e entre aquelas com aplicação mais comum podemos citar os marcadores moleculares.

Estes marcadores são fragmentos de DNA que são usados para diversos fins, como: 1) Seleção assistida por marcadores, quando estes fragmentos são “capazes” de indicar quais seriam os melhores genótipos de arroz para um determinado caráter; 2) Acompanhamento da piramidação (acúmulo) de vários genes de resistência para uma determinada doença, por exemplo; 3) Distinção dos genótipos entre si (equivalente ao exame de paternidade humano); 4) Identificação de regiões do DNA responsáveis pela manifestação de algum caráter (genes).

Os marcadores moleculares podem ser utilizados como ferramentas complementares aos processos e etapas que compõem o melhoramento convencional e podem torná-los mais eficazes e eficientes.

Vale salientar que a biotecnologia não é restrita a marcadores moleculares, inúmeros produtos/processos também podem ser classificados como ferramentas biotecnológicas. Os biopesticidas são um exemplo disto. Eles podem ser compostos diretamente por micro-organismos que “combatem” a doença/praga ou podem ser compostos por substâncias extraídas de outros organismos.

Estudos inclusive apontam que é possível “vacinar” a planta para que ela “ative” o seu sistema de defesa ao ataque de doenças e pragas. Neste caso, as plantas são expostas a substâncias que desencadeiam uma reação nelas. Várias tecnologias com este enfoque já estão disponíveis para outras culturas e existe uma grande expectativa que se tornem realidade para a cultura do arroz em larga escala.

OGM

Em relação aos transgênicos (ou organismos geneticamente modificados), muitos mitos já foram derrubados. Além disto, é importante ressaltar que pesquisas que envolvem o desenvolvimento de plantas transgênicas de arroz não necessariamente evoluiriam para a sua comercialização posterior. Por muitas vezes, esses estudos são dedicados exclusivamente para a investigação de como determinados genes se comportam, por exemplo. Assim, os resultados destas pesquisas forneceriam informações valiosas à comunidade científica, que, por sua vez, as utilizariam para o desenvolvimento de novas soluções a serem disponibilizadas à cadeia produtiva da cultura.

Porém, apesar da seriedade com que a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) trata das políticas de biossegurança relativas a estes organismos, ainda surgem questionamentos importantes, como, por exemplo, em relação à segurança ambiental e ecológica da cultura do arroz. Diante da possibilidade de “transmissão” do transgene ao arroz daninho e até mesmo à espécie silvestre de arroz Oryza glumaepatula, é preciso ressaltar a importância de se estabelecer normas rigorosas para plantio e manejo da cultura no caso do uso de cultivares transgênicas.

Estas preocupações se estendem inclusive a uma nova tecnologia chamada de Edição Gênica, em que é possível alterar determinado caráter sem a necessidade de inserção de um gene de outro organismo. Ou seja, não tratamos mais de transgênicos e sim de organismos com alterações específicas.

Inúmeros caracteres já foram ou são estudados com o advento da biotecnologia para a cultura do arroz, estes vão de fatores ligados a estresses causados por pragas e doenças a caracteres associados à qualidade industrial e nutricional do grão. Além dos grandes avanços na ciência, é sempre válido reforçar que as ferramentas desenvolvidas a partir deste conhecimento científico têm seu foco em resultados práticos. Mas muitas vezes, por exemplo, o agricultor não sabe que as cultivares que ele planta passaram por processos que envolviam a biotecnologia em algum momento.

Atualmente, o programa de melhoramento de arroz da Embrapa faz uso da biotecnologia para atributos relacionados a qualidade de grão, tolerância à deficiência de fósforo no solo e resistência à brusone. Além disto, estão em validação marcadores associados a outras doenças (queima da bainha e mancha parda), outros atributos de qualidade e também tolerância a seca.

Apesar do grande potencial que a aplicação de ferramentas biotecnológicas representa aos programas de melhoramento de arroz, o uso efetivo e em rotina delas é um desafio. Limitações econômicas ainda representam o maior obstáculo à ampla adoção destas ferramentas. É necessário também destacar que atividades com alto desempenho tecnológico, como, em geral, é o caso de operações que envolvam a biotecnologia, necessitam de articulações entre o setor privado, público e universidades, o que nem sempre ocorre adequadamente.

De qualquer maneira, a biotecnologia é uma realidade que pode fornecer soluções para exigências de mercado atuais e futuras auxiliando o desenvolvimento de uma cadeia produtiva sustentável e moderna para a cultura do arroz.



TEREZA CRISTINA DE OLIVEIRA BORBA
DOUTORA EM GENÉTICA E MELHORAMENTO DE PLANTAS
PESQUISADORA DA EMBRAPA ARROZ E FEIJÃO


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