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01.02.2019 | CAPA

Um novo horizonte produtivo

imagem Theisen: busca pela produtividade e adaptação Foto: PAULO LANZETTA

 A agricultura nas terras baixas do sul do Brasil (RS e SC) tem uma importância estratégica para o país, pois fornece cerca de 80% do arroz, grão que é um pilar da alimentação nacional. No Rio Grande do Sul, cerca de 3 milhões de hectares em terras baixas estão estruturados para a irrigação por superfície e praticamente aptos à produção agrícola. O arroz irrigado, cultura mais adaptada e predominante nestas áreas, é cultivado em cerca de 1 milhão de hectares por ano.

A busca pelo aumento de produtividade e a crescente demanda por alimentos, fenômeno que ocorre em nível mundial, levou à intensificação produtiva de arroz em paralelo ao aumento no cultivo de soja nessas áreas. A produtividade de arroz irrigado no estado aumentou de 3,5 toneladas por hectare nos anos 70 para 5,3 toneladas por hectare na década de 2000, atingindo quase 8 toneladas por hectare nas últimas safras. 30 anos (1970-2000) foram necessários para aumentar a produtividade de arroz em 50%, mas recentemente o mesmo ganho foi obtido em metade desse tempo.

Sem dúvida, a intensificação aumentou a produtividade do arroz irrigado. No entanto, a produção tem ficado cara e, de modo geral, as margens de lucro do produtor estão diminuindo. “Ao mesmo tempo em que o arroz alcançou altos patamares de produtividade, algumas dificuldades, como plantas daninhas resistentes aos herbicidas e limitações devido à fertilidade dos solos, têm sido cada vez mais recorrentes. Para amenizar estas dificuldades, a pesquisa tem mostrado que a rotação de culturas é uma das estratégias mais importantes e viáveis no longo prazo”, resume o pesquisador Giovani Theisen, da Embrapa Clima Temperado.

Segundo ele, o problema é que as terras baixas, com seus solos hidromórficos, podem restringir as culturas que não toleram o excesso de umidade, como a soja, o milho, os cereais de inverno, várias pastagens e plantas de cobertura de solo. “Praticar a rotação de culturas nos planos solos e nas áreas com solos muito úmidos requer uma dose extra de ‘engenharia agronômica’, principalmente quanto às estratégias para garantir que as culturas não sejam prejudicadas pelo excesso de umidade”, afirma.

Nesse sentido, o manejo e a drenagem dos solos agrícolas em terras baixas é um tema continuamente trabalhado pelas instituições de pesquisa e ensino. A intenção é possibilitar que as terras baixas, com suas vastas áreas já abertas para a agricultura, sejam efetivamente usadas para produzir uma diversidade de grãos, pastagens e plantas de cobertura ou para a produção de energia sem perdas por excesso de umidade e ao mesmo tempo trazendo benefícios ao arroz irrigado pelo efeito da rotação de culturas. Essa demanda, diga-se de passagem, não é exclusiva das terras baixas sul-brasileiras. “Os grandes produtores asiáticos de arroz irrigado enfrentam problemas similares já há alguns anos: a falta de opções para a diversificação de culturas, em última análise, tem limitado a produtividade do arroz aqui, e também lá no distante oriente”, exemplifica o pesquisador.

Drenagem: princípio básico da rotação

Redução das perdas por estresse hídrico é a meta | FOTOS GIOVANI THEISEN

 

Milho em camalhão entrando no sistema produtivo

 

Diversas técnicas de drenagem podem ser empregadas para que a diversificação de culturas tenha maior chance de sucesso nas terras baixas e nos solos hidromórficos. Os vários métodos têm, individualmente, suas vantagens e desvantagens, podendo se adequar ou não para determinada situação ou interesse do produtor.

“O objetivo maior é evitar as perdas de produtividade causadas pelo excesso de umidade do solo, mas outras questões, como a possibilidade de irrigação, o grau de facilidade de implantação da técnica e a possibilidade de melhoria na qualidade dos solos, também são componentes importantes para os sistemas de produção e são afetadas pelos distintos métodos de drenagem. Estes fatores também ‘entram em jogo’ ao se decidir o método de manejo da drenagem a ser utilizado”, argumenta Giovani Theisen, da Embrapa Clima Temperado, que irá apresentar uma das estações da Embrapa na 29ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz.

A estruturação de valetas dentro (microdrenagem) e fora (macrodrenagem) da área cultivada talvez seja o modo mais simples de drenagem, estando presente em praticamente todas as áreas atualmente cultivadas com soja nas terras baixas gaúchas. O valeteamento pode ser equidistante (por exemplo, uma valeta a cada 10 ou 20 metros), ou, mais modernamente, planejado de acordo com o mapa de declividade do terreno.

Obviamente, a facilidade de implantação em termos de maquinário e a boa eficiência para as áreas com problemas leves a moderados de encharcamento são grandes vantagens do método. Outra técnica de drenagem é o camalhão de base estreita, método muito eficiente para proteger as culturas do excesso de umidade, como tem sido demonstrado em várias pesquisas e dias de campo. Nesse sistema, uma ou duas linhas da cultura são semeadas em cima do camalhão.

“No atual estágio de desenvolvimento, porém, o método ainda necessita semeadoras-camalhoeiras específicas e é também associado a uma necessidade relativamente alta de preparo do solo, o que o coloca um pouco distante de um manejo mais conservacionista”, registra o pesquisador. Um grande potencial do método é a possibilidade dos camalhões estreitos também servirem como guia para a irrigação das culturas. Isso, sem dúvidas, é um grande ponto favorável e uma vantagem importante ao uso desta técnica em relação às demais.

EDIÇÃO 69

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EDIÇÃO 69
Fevereiro de 2019

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