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01.02.2019 | PESQUISA

Perigo vermelho

Invasora dos Estados Unidos, Cyperus erithrorhizos muhl chega às lavouras gaúchas

imagem Planta tem origem na América do Norte Foto: FOTOS VALMIR G. MENEZES

 Como se já não faltassem problemas na lavoura de arroz, uma planta daninha nativa da América do Norte, a ciperácea da raiz-vermelha (Cyperus erythrorhizos muhl), conhecida como red-root sedge nos Estados Unidos, foi identificada em áreas arrozeiras da Campanha, Planície Costeira Externa e Zona Sul. Para piorar, apresenta resistência aos herbicidas do grupo das imidazolinonas.

O engenheiro agrônomo e mestre em fitotecnia Valmir Gaedke Menezes, da Oryza & Soy Consultoria, fez alguns dos primeiros relatos da presença da planta daninha em lavouras gaúchas. Segundo ele, a espécie tem alta competição com o arroz devido à rápida disseminação e grandes populações que se formam. “Ela ocupa espaço do cultivo comercial e compete por luz e nutrientes, provocando também o acamamento do arroz. Nestas condições não há como colher”, alerta.

Ainda não está claro como a espécie foi parar no Rio Grande do Sul, mas, para Menezes, a hipótese mais provável é de contaminação de lotes de sementes importadas dos Estados Unidos. “Em solo gaúcho, o principal meio de dispersão continua sendo por sementes, mas pode ocorrer disseminação por animais, em especial o rebanho bovino, água, máquinas e equipamentos”, frisa.

Essa ciperácea foi identificada pela primeira vez em uma lavoura orizícola da localidade de Chasqueiro, em Arroio Grande (RS), pelo engenheiro agrônomo José Paulo dos Santos e pelo técnico agrícola Marcos Neumann. Exemplares foram encontrados em cinco propriedades de Santa Vitória do Palmar, em uma fazenda de Palmares do Sul e outra de Dom Pedrito por Valmir Gaedke Menezes.

O consultor da Oryza & Soy explica que as áreas gaúchas nas quais a espécie foi encontrada têm similaridades com aquelas em que ela ocorre nos Estados Unidos, como solos arenosos, difícil drenagem e proximidade a lagoas e rios. No caso gaúcho, está próxima das lagoas dos Patos e Mirim, onde normalmente se cultiva arroz irrigado no verão, destina ao pastoreio e, mais recentemente, se produz soja em terras baixas.

RESISTÊNCIA
Outro fator comum é que as regiões são cultivadas com arroz irrigado no sistema Clearfield (CL) e que os herbicidas utilizados nas doses recomendadas para o manejo (Kifixou Imazetapir) não controlaram a planta daninha. “Com certeza, a ciperácea da raiz-vermelha deve estar presente em outras áreas no sul do Brasil, mas ainda não foi relatada”, diz Valmir Gaedke Menezes.
Além dos Estados Unidos, a Cyperus erythrorhizos é encontrada no México, Canadá e Itália. Suas características são planta anual de ocorrência em solos úmidos junto a rios, lagos, diques e drenos e se desenvolver no verão. Apesar da presença mais significativa em solos arenosos, já foi encontrada em terrenos com outras características.

Ciperácea mostra resistência a herbicidas


Como identificar

* A Cyperus erythrorhizos é planta anual, cespitosa e pode medir um metro de altura, mas geralmente é menor. O caule é triangular, com cinco folhas basais cujas bainhas são de coloração púrpura clara e o deixam com formato arredondado na parte inferior. Possui de cinco a sete brácteas, geralmente maiores que as folhas, sendo duas grandes, uma de porte intermediário e outras de tamanho menor.
* A bráctea maior pode atingir até 84 centímetros de comprimento, seguida de outra com 50 a 60 centímetros. A intermediária tem cerca de 35 centímetros, a quarta mede ao redor de 20 centímetros e as menores, menos de 10 centímetros. Estes valores variam em função da fertilidade do solo e da população de plantas.
* O formato da inflorescência e a coloração variam com o desenvolvimento. Inicialmente, as espiguetas estão aglutinadas e a cor predominante é verde-claro, que escurece na medida em que suas espiguetas são fecundadas e formam os frutos.
* Os frutos são de coloração escura e forma ovalada. Medem cerca de 0,4 milímetro a um milímetro.
* As plantas na fase juvenil são similares às plantas de Cyperus iria, mas não têm o odor característico desta espécie quando se maceram as folhas.
* Na fase de florescimento, assemelham-se ao Cyperus ferax.
* O caule triangular é envolto na base pelas bainhas foliares de coloração púrpura.
* As raízes têm coloração avermelhada devido à presença de antocianina.
* Essa cor contribui para a identificação da espécie e define o nome comum da planta em inglês: red-root sedge, ou ciperácea da raiz-vermelha.

Fonte: Valmir Gaedke Menezes, engenheiro agrônomo, mestre em
fitotecnia e consultor da Oryza & Soy

EDIÇÃO 69

publicado na edição

EDIÇÃO 69
Fevereiro de 2019

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