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01.02.2019 | ENTREVISTA

Não dependemos somente de nós para exportar

 Sem expansão do consumo, as exportações de arroz têm sido a válvula de escape do mercado brasileiro para minimizar o impacto das importações e buscar equilíbrio entre oferta e demanda e nos preços internos. Em 2018, o arroz em casca foi o produto mais vendido ao exterior. Pércio Machado Greco, 53 anos, diretor-comercial da Rice Brazil, liderou parte das operações. Aqui, fala dos gargalos, fortalezas e desafios brasileiros para consolidar e alcançar clientes globais e a expectativa de embarques em 2019.

Planeta Arroz – De março a dezembro de 2018, o Brasil exportou 600 mil toneladas de arroz em casca. No ano civil, quase 900 mil. Qual a razão deste desempenho?
Pércio Greco – As vendas cresceram por motivos específicos: os Estados Unidos dominam esse mercado e tiveram quebra de 20% na safra 2017, o que reduziu oferta e elevou os preços. Isso abriu espaço pra nós nas Américas do Sul e Central. Ao final de 2017, em 60 dias tiramos seis, sete navios em pedidos. O câmbio, com o real enfraquecido, e os preços internos baixos no início de 2018 nos deram competitividade. A Venezuela importou 500 mil toneladas, parte com apoio chinês. Nós tínhamos melhor preço e produto à vontade. Arrancamos bem nas vendas em 2017 e nos mantivemos vendendo até setembro de 2018.

Planeta Arroz – As vendas cessaram em setembro?
Pércio Greco – É conjuntural. Os Estados Unidos colheram safra cheia em agosto de 2018 e voltaram agressivos ao comércio. Em janeiro de 2019 deviam operar US$ 20 acima dos US$ 255 por tonelada que praticavam para a gente competir, mas não alcançaram o patamar de vendas que permitisse subir os preços. A situação da Venezuela complicou, sem pagamentos em dia, alguns barcos atrasaram. Isso gerou incertezas. Com um presidente estava difícil, imagina com dois! Quem vai comprar? Quem vai pagar? Afora isso, a expectativa de valorização do real exige cautela e uma amarração perfeita dos negócios.

Planeta Arroz – As vendas caem em 2019?
Pércio Greco – Não exportaremos tanto quanto em 2018. O cenário ficará mais claro entre março e abril. A economia brasileira definirá um horizonte para o câmbio, teremos a projeção da safra norte-americana – que estará na entressafra e com preços em alta –, situação política mais clara na Venezuela – que é o grande cliente – e números da nossa safra, pois ninguém pode afirmar se a quebra é de 300 mil toneladas ou 1 milhão.

Planeta Arroz – Há outros fatores?
Pércio Greco – Costa Rica, Panamá e Guatemala estarão comprando dos EUA até março. Voltarão a comprar em março/abril. Os EUA esperam um tender de 90 mil toneladas de arroz branco do Iraque também entre março e abril, o que pode elevar seus preços e reduzir seus estoques na entressafra. Nesta época estaremos em plena safra, o que pode nos colocar no mercado de novo e ajudar a elevar os preços internos, como ano passado. Podemos ter um bom ano, mas dependemos destes gatilhos.

Planeta Arroz – A Venezuela é o fiel da balança?
Pércio Greco – Se estabilizar a situação, a Venezuela vai importar 500 mil toneladas em poucos meses. Se os EUA entrarem na jogada, não vão atender toda a demanda e deve sobrar parte das vendas para nós. Se tivermos melhores preços, vamos ter maior participação.

Planeta Arroz – O preço é que define?
Pércio Greco – É preço e qualidade, mais o preço no caso da Venezuela. Temos clientes na Costa Rica e em Nicarágua que pagam prêmios para ter arroz do Brasil por qualidade. Mas são exceções.

Planeta Arroz – A África e o Oriente Médio têm comprado mais?
Pércio Greco – Não em casca. A África compra quebrados de arroz em grandes volumes – 400, 500 mil toneladas por ano. É um mercado em que o Brasil soube se posicionar. Outro mercado que o país ganha é de arroz branco de alta qualidade no Peru, graças a um trabalho muito bom de algumas indústrias.

Planeta Arroz – Uma ação individual?
Pércio Greco – Ainda que tenhamos ações individuais em busca de clientes, há um esforço da cadeia produtiva. Em alguns segmentos, uma ou outra empresa fica em evidência, mas as operações são formadas pela parceria. Precisa de corretora para comprar o grão, quem venda, o armazém, o transporte, de credibilidade com o produtor, contato com o cliente, crédito, operação no porto... É um quebra-cabeças que quando temos as condições adequadas, conseguimos montar até a última peça.

Planeta Arroz – Mas há deficiências logísticas.
Pércio Greco – Inegável. Temos que embarcar no chão do cais comercial, com restrição aos grandes terminais de março a agosto porque a prioridade é embarcar soja. Falta um terminal arrozeiro, a estabilidade de condições para assegurar negócios ao longo do ano. Mas nos tornamos mais eficientes. Em 2012 eram embarcadas 2 mil toneladas ao dia e levávamos de 10 a 15 dias para fechar um navio. Hoje carregamos 7 mil toneladas diárias e levamos até menos de cinco dias na operação. A logística depende do Brasil e não anda. A competitividade é diferente: não dependemos de nós para exportar, mas também de uma conjuntura externa e macroeconômica.

Planeta Arroz – Dá para melhorar a estrutura?
Pércio Greco – Procuramos alternativas. Usamos o Porto de Pelotas como suporte. Fomos ver a estrutura do Porto de Imbituba, em Santa Catarina, que melhorou. Cooperativas embarcaram arroz em casca por lá. Pode ser uma alternativa eventual.

Planeta Arroz – O Mercosul concorre conosco lá fora?
Pércio Greco – Sim. Mas tenho uma visão particular sobre isso. O arroz exportado pelo Mercosul para terceiros mercados não entra no Brasil, e isso é bom. Temos que tirar o excedente do bloco.

Planeta Arroz – 2018 foi um ótimo ano para trabalhar?
Pércio Greco – Maravilhoso. Teve seus problemas quando envolveu recursos de governo, atraso de carregamento pra Venezuela, mas foram superados. Quem dera todos os anos fossem assim. Decepções: a tabela do frete, que encareceu a operação e quase atrasou embarques, exigindo grande esforço de nossa parte, e os números da Conab, que mais uma vez indicaram uma coisa e o mercado mostrou outra.

Planeta Arroz – Exportar é solução para os preços no Brasil?
Pércio Greco – Não digo a única, mas uma saída. Sem exportar, o arrozeiro gaúcho não cobre o custo de produção. As cotações não sobem de fevereiro a maio, mas o ano passado mostrou que se a gente estiver embarcando, aquece o mercado e os preços se elevam, como aconteceu até agosto/setembro, quando se pagava R$ 50,00 no porto. Paramos de comprar, o mercado retraiu até abaixo de R$ 40,00. É sintomático.

EDIÇÃO 69

publicado na edição

EDIÇÃO 69
Fevereiro de 2019

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