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14.09.2018 | ANáLISE DE MERCADO - por Cleiton Evandro dos Santos / Revista Planeta Arroz

Dólar nas alturas e forte queda na intenção gaúcha de plantio mantêm cotações em alta

Setembro começou titubeante, mas o cenário político e os fatores externos que determinam a valorização da moeda estadunidense, e intenção de plantio com forte queda no RS, alavancaram preços perto de R$ 46,00. E vão subir mais

Depois de um início de mês afetado pelo feriadão de 7 de setembro e os produtores, indústrias e agentes de mercado esperando um cenário mais claro, em especial para o dólar e a próxima colheita, as cotações do arroz em casca retomaram a trajetória de alta de forma mais decidida desde a última terça-feira no Rio Grande do Sul, com reflexo nos demais estados produtores e centros de comercialização. A moeda norte-americana bateu em R$ 4,19 nesta quinta-feira, dia 13, cotação que dá suporte à elevação dos preços internos, que se mantêm competitivos frente aos produtos do Mercosul.

O indicador de preços da saca de 50 quilos do arroz em casca (58x10) no Rio Grande do Sul Esalq/Senar-RS, alcançou nesta quinta-feira os R$ 45,91 de média, acumulando valorização de 1,86% em setembro, depois de ter se mantido praticamente estável nos 11 primeiros dias, até então com variação positiva de 0,33%.

No mercado livre, o arroz gaúcho varia de R$ 44,00 em Dom Pedrito e Cachoeira do Sul, até R$ 50,00 para variedades nobres e lotes diferenciados na Zona Sul e Planície Costeira Interna, mas com referência mais comum entre R$ 45,00 e R$ 46,50 nas demais regiões.

Pela cotação da moeda estadunidense, a saca no Rio Grande do Sul equivale a US$ 10,94, valor competitivo para o grão brasileiro subir um pouco mais e ser exportado.

Se por um lado a valorização do dólar pode ajudar nas exportações, principalmente do grão beneficiado e quebrados, por outro o produtor que tiver mais dificuldades em adquirir recursos para o custeio e atrasar a compra de insumos será penalizado com um custo de produção ainda mais alto. O cenário político instável, com expectativa de polarização entre extrema esquerda e extrema direita no país, deixa o câmbio ainda mais instável.


Os países do Mercosul seguem pressionados com estoques retidos, uma vez que a balança comercial brasileira, embora com maior volume de compras nos últimos meses, segue amplamente superavitária. Argentina, Uruguai e Paraguai aguardam com ansiedade a divulgação dos resultados de uma concorrência internacional no Iraque, para a aquisição de 90 mil toneladas divididas entre os três países.

No Uruguai a previsão é da menor safra do século, com retração de até 15% na área plantada. Enquanto isso, a Saman, uma das grandes empresas do país, controlada pela brasileira Camil, fechou três plantas ociosas. Outros dois grupos encaminharam funcionários para o seguro e reduziram as atividades em suas unidades.

Na Argentina, em crise econômica grave, o governo estabeleceu taxa de exportação em US$ 4 dólares, fixos, por tonelada. A alta do custo de produção, baixa rentabilidade, retenção da comercialização da safra 2017/18 pela baixa demanda brasileira, também está fazendo prever uma retração na área de pelo menos 5%. O Paraguai, refém da demanda brasileira, tem baixado o que pode os preços e forçado a oferta no mercado do Brasil e de países das Américas, enquanto busca novos mercados.

No entanto, a competitividade brasileira e argentina para terceiros mercados e sua própria dificuldade de logística têm sido grandes obstáculos para o escoamento da safra num fluxo condizente com suas necessidades de caixa e rentabilidade.

No mercado internacional a novidade é a possibilidade de que a retração nos preços esteja mais próxima de encontrar a estabilidade e tomar uma trajetória de recuperação até o final do ano, no pico das entressafras da Ásia. Os preços continuaram caindo em agosto, em especial nos Estados Unidos, por conta da boa safra, e na Ásia por conta do período da colheita de verão-outono (a menor das duas que são marcantes no continente) que reduziu temporariamente a tensão de demanda de alguns países e aumentou pontualmente a oferta.

QUEDA LIVRE NA LAVOURA
Embora ainda extraoficial, mas já confirmada por integrantes do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a intenção de plantio da próxima safra no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do Brasil, apresenta uma queda histórica. A estimativa do Irga é de que a superfície semeada deve cair 6,54%, ou 71 mil hectares, para 1,007 milhão de hectares.

Boa parte dessa área deve migrar para soja ou pousio/pecuária, para manejo de invasoras resistentes a herbicidas que vem aumentando. Em 2017 o Irga identificou uma intenção de plantio de 1,077 milhão de hectares, o que gerou protestos de produtores e algumas associações no anúncio durante a Expointer, mas se confirmou com diferença de apenas 1 mil hectares (1,078 milhão plantados e 1,066 milhão de hectares colhidos).

Confirmando-se a projeção e se toda a área for colhida com a mesma produtividade da safra passada, em 7.949 quilos por hectare, o Rio Grande do Sul produzirá 8 milhões de toneladas na próxima temporada, ou 5,55% a menos que as 8,474 milhões de t. Todas as regiões arrozeiras terão retração, com destaque percentual para a Planície Costeira Externa e a Zona Sul, com queda superior a 11%.

Os números do Irga coincidem com a expectativa da Federarroz de que a área gaúcha iria cair entre 5% e 10% para a próxima temporada em razão do alto endividamento dos produtores, da baixa rentabilidade das últimas safras e, em especial, o salto do custo de produção. A área com soja em várzea deve passar de 272 mil hectares a mais de 290 mil hectares, com avanços na Depressão Central, Campanha e Planícies Costeira.

INDÚSTRIA
Depois de conseguir repassar parte dos reajustes da matéria-prima para o varejo também alicerçada na imposição da tabela de frete, a indústria reporta maiores dificuldades na aceitação, pelas redes, de novos preços. Isso vem exigindo maior detalhamento e cálculo das operações por parte dos engenhos de pequeno e médio porte, com maior dificuldade de manter espaço nas gôndolas. As cotações do beneficiado estão praticamente estáveis. O mercado de quebrados segue menos intenso este ano por causa de menor demanda africana – pela concorrência com os asiáticos – e um rearranjo das tradings que operam no Brasil.

PREÇO AO CONSUMIDOR
Em que pese dificuldades da indústria em repassar os preços ao varejo, o consumidor segue percebendo remarcações na ponta da cadeia produtiva. O pacote de cinco quilos comumente encontrado no início do ano a R$ 11,00, agora gira em torno de R$ 14,00 de média nas principais capitais brasileiras. E subindo. Ainda se vê ofertas abaixo de R$ 10,00 em grandes redes, mas de marcas de segunda linha ou lotes adquiridos com muita vantagem que entram nas estratégias de vendas das redes de supermercados como atrativo para produtos de maior valor agregado. 

Em um ano, de setembro de 2017 a agosto de 2018 a cesta básica do Dieese, pesquisada em 20 capitais brasileiras, apresentou alta em 13 cidades, em especial no Centro-Sul, e retração em sete, principalmente no Nordeste. Em agosto, último, São Paulo, que tem a cesta mais cara do Brasil, apresentou leve queda, de 0,66% no preço do quilo do arroz, segundo os critérios desta pesquisa.

TENDÊNCIA
A expectativa é de que os preços ao longo da cadeia – do produtor ao consumidor – continuem aumentando na medida em que o dólar se valorize durante o período eleitoral e, posteriormente, até que o mercado financeiro internacional tenha um panorama mais claro das políticas e intenções do governo eleito. Outra parte será dirigida a pousio/pecuária para uso em práticas de desinfestação de plantas invasoras resistentes a herbicidas, como arroz vermelho e capim arroz.




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