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09.07.2018 | ANáLISE DE MERCADO - por Cleiton Evandro dos Santos - AgroDados - Planeta Arroz

Teto de preços dispara com demanda da indústria e dos exportadores

Embarques de arroz em casca e necessidade da indústria repor estoques – e varejo aceitando repasses - já põem lotes negociados acima de R$ 46,00 na Zona Sul gaúcha

imagem Preços do arroz estão em elevação ao longo da cadeia produtiva Foto: Divulgação

Ainda é para poucos, mas já há confirmação de lotes de arroz em casca negociados a R$ 46,00 na Zona Sul gaúcha, referência para o teto de preços do grão no Rio Grande do Sul desde que o Estado passou a exportar maiores volumes desta matéria-prima. A compra de arroz em casca (58x10 acima) na Zona Sul a R$ 45,00 já é corrente. Descontando frete e taxas, equivale aos R$ 41,00 da Fronteira-Oeste e os R$ 40,00 a R$ 41,00 da Depressão Central. A tendência é de que os preços sigam em alta.

O teto de preços do arroz em casca vem sendo forçado por diversos fatores que enumero: em primeiro lugar o equilíbrio entre oferta x demanda nesta temporada por causa do recuo da produção e o baixo estoque de passagem, além do aumento do consumo projetado pela Companhia Nacional de Abastecimento. O câmbio, favorável às exportações também tem sido determinante, com a balança comercial muito positiva ao país.

A expectativa de menor volume de oferta neste segundo semestre converge com um cenário de dólar em alta pelo conturbado cenário político contaminando a economia e o fortalecimento global da moeda estadunidense, o que estabelece uma disputa mais acirrada pelo grão disponível entre indústrias e tradings.

REPASSE

Constatei com as fontes consultadas que outro fator fundamental para a valorização da matéria-prima é que a indústria está conseguindo repassar este custo aos atacadistas e varejistas, também pelo reflexo da alta do frete. Com o repasse nestes patamares e a aquisição de boa parte dos estoques em valores bem inferiores por meio do recebimento de grão em pagamento das CPRs referentes ao financiamento da safra, parte das empresas consegue uma margem importante sobre as médias e com isso posicionar-se no mercado. A alta reflete ao longo de toda a cadeia produtiva, até o consumidor.

Corretoras da região indicam a liquidação de arroz depositado na indústria na faixa de R$ 43,00 a R$ 43,50, o que descontando as taxas vai bater na casa dos R$ 45,00 ou pouco acima, brutos. 

SOBRE O CUSTO

Com este referencial de teto de preços, finalmente as cotações no eixo Camaquã-Pelotas-Rio Grande – começam a superar o custo médio de produção da saca arroz de 50 quilos no Estado, de R$ 45,00, na safra 2017/18, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

O Sul de Santa Catarina tem acompanhado, levemente atrás, a evolução de preços no Rio Grande do Sul, e as cotações estão entre R$ 39,00 e R$ 40,00. No Mato Grosso e Tocantins as cotações se mantiveram praticamente inalteradas porque as indústrias estão abastecidas para o atendimento de suas demandas.

INDICADOR

Depois de acumular 8% de valorização em junho, o indicador de preços do arroz em casca Esalq-Senar/RS registra alta de 1,47% nos cinco primeiros dias úteis de julho, com preço médio de R$ 41,29, posto na indústria, que pela cotação do dólar na sexta-feira (6/7) equivalia a US$ 10,57. A média está bem mais baixa do que o teto em razão de algumas regiões ainda operarem com preços médios de R$ 39,00 a R$ 41,00 e apenas a Zona Sul ter valores que se descolam.

Friso que o arroz que alcança R$ 46,00 é de qualidade superior e que está em poder dos produtores, geralmente armazenado nas propriedades. Ainda assim, há o claro indicativo de tendência à demanda por parte dos compradores.

EXPORTAÇÕES

A confirmação de que há pelo menos mais oito navios de arroz em casca – e comprados apenas em parte - a serem embarcados até outubro no Sul do Brasil, indica um mercado mais disputado e uma reposição de estoques, pela indústria, que irá exigir um pouco mais de valorização. São ao menos 200 mil toneladas que sairão em casca do Brasil nestes pouco mais de três meses. Em junho o Brasil exportou 97 mil toneladas e importou pouco mais de 60 mil, o que assegurou um avanço do superávit arrozeiro na balança comercial de 2018.

Hoje, a paridade, descontando os custos portuários e outros fatores agregados, deixa espaço para os preços internos subirem até R$ 47,00. 

FRETE

O setor ainda enfrenta obstáculos com a tabela de fretes e algumas empresas já cogitam adquirir frota para minimizar custos. No entanto, o cenário complexo que envolve o período eleitoral não recomenda grandes investimentos e, apesar dos estudos, há cautela na tomada de decisão. Ainda há expectativa de reversão, em agosto, deste balizamento dos fretes que aumentou o custo do transporte, em alguns casos, em mais de 50%.

Alguns corretores já projetam que o Brasil poderá superar as 600 mil toneladas de exportação de arroz em casca no ano, além de um volume superior a 400 mil toneladas de quebrados. O resultado total das vendas externas pode superar 1,3 milhão de toneladas, em base casca, envolvendo o arroz branco, parboilizado e integral.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preços médios de R$ 41,50 para a saca de arroz de 50 quilos, em casca, 58x10, no Rio Grande do Sul. O valor alcança 81,00 para a saca de 60 quilos de arroz branco, Tipo 1, sem ICMS, FOB/RS. Entre os quebrados, estabilidade de preços: o canjicão mantém R$ 53,50 e a quirera R$ 43,00, ambos em sacas de 60 quilos. O farelo de arroz também não sofreu alteração de preços e se manteve a R$ 470,00 por tonelada, FOB/RS.

PREÇO AO CONSUMIDOR

Além do período de virada de mês, que costuma manter as cotações mais altas até pelo menos o final desta semana, há o repasse dos custos do frete e da matéria-prima pelas indústrias que o atacado e o varejo passaram a aceitar. Este cenário impôs a retirada de descontos e promoções que até março ocorriam de forma mais ampla e já não é tão corriqueiro ver o saco de cinco quilos de arroz branco, do Tipo 1, abaixo de R$ 10,00.

De maneira geral, registra-se uma elevação nos preços médios ao consumidor. Não são valores significativos, considerando que o grão está entre os produtos mais baratos – se não o de menor preço – da cesta básica nacional. Em média, o pacote de cinco quilos está sendo comercializado entre R$ 1,00 e R$ 1,50 acima do que se registrava no início do ano.




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comentários (8)

09/07/2018 - Marcos Hanus ( - CE)
Notícia animadora para os arrozeiros, bem na época de planejar a próxima safra.
Arroz a 50 no plantio, arrozeiros animados, super safra e depois vamos vender arroz a 35, pra pagar as contas na colheita.
09/07/2018 - Ananias lamounier (Formiga - MG)
Ainda bem. Pois si não der uma reagida não vamos ter esse produto tão valiosso em nossas casas pois o produtor já não aguentava mais . Só indústria e importados ganhavam no mercado... E justo
09/07/2018 - Odair Luis Pocai de Mello (Esteio - RS)
Parabéns pela matéria, realmente uma analise bem detalhada.
09/07/2018 - Flavio Evandro (Santa Maria - RS)
Teto do arroz u$ 11,00... Mas e o Teto do dólar alguém consegue prever com esse cenário político maluco em que vive nosso país??? Muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte... Indústria e varejo em polvorosa... Avisei que iam matar a galinha dos ovos de ouro... Ah se avisei!!! Esgoelaram o pessoal com R$ 33,00... Mataram o cordão dos puxa saco!!!
09/07/2018 - Eduardo Farias (Camaquã - RS)
Arroz a R$ 33,00 ou Arroz a R$ 50,00 só é bom para quem é capitalizado. O produtor que planta com dinheiro emprestado, necessita vender na safra e acaba entregando seu arroz para a industria mais barato. O Produtor com mais capital, segura e vende no segundo semestre com preços melhores. Na industria é a mesma coisa. A industrial capitalizada, financia e cobra na safra liquidando barato e fazendo caixa, enquanto a que não tem tanto capital, acaba pagando mais caro. Estamos chegando ao limite onde sobrarão os grandes produtores e as grandes industrias. O que é melhor? A oferta mais restrita de matéria prima e a demanda também mais restrita de compra de arroz, ou a livre concorrência? Não sei sinceramente se o monopólio será bom para o nosso setor. Os grandes hoje estão matando os pequenos e médios, e depois sozinhos, como serão suas ações junto ao classe orizícola !!!!!!!!
12/07/2018 - SILVIO SOUZA (Triunfo - RS)
O artigo é bom e foi bem escrito, mas não me iludo considerando o preço de R$ 41,50 como bom! Bom para quem??
Torço fortemente que mais arrozeiros virem as áreas que permitirem para a Soja! Esta sim remunera bem na comparação com o custo da lavoura. Isto é algo que o plantador precisa entender: quanto mais área dedicar para o arroz, mais aumenta o buraco!
Quantos são os arrozeiros quebrados? Os que estão trocando há anos 6 por Meia Dúzia?
Todos que pudessem, deveriam virar uns 20% de suas áreas para Soja!
Estes que hoje financiam a safra dos que não podem mais conseguir dinheiro nos bancos na sua maioria agem como Agiota-Engenho - Quem aguenta 3% de juro ao mes??

Que falte arroz na mesa do brasileiro !! Da Cerveja não reclamam do preço! Que aprendam a pagar alimento de primeira qualidade no preço justo!!
13/07/2018 - Éverci Perez Lobato (Pelotas - RS)
Bom dia, Eduardo.
O controle da virada do preço está nas nossas mãos.
Embora pareça difícel, ou até impossível, é a redução de oferta que resolverá um problema de individamento, pelo fato de preço maior e rentabilidade positiva e crescente. Aumentar ou manter algo que causa prejuízo é aumentar o buraco.
A conta fecha, tanto em operacional quanto em fluxo de caixa para quem conseguir , a cada 1 ha de arroz reduzido, no lugar, plantar até 2 de soja. Não adianta estar sendo ruim em arroz, manter área, e colocar mais a soja plantada fora de época. A diminuição da oferta é a medida mais rápida para recuperação do preço na próxima safra. A expectativa na safra 2017/18 era de preços melhores,como estão fazendo agora, e na colheita tivemos exposto, em fevereiro, o preço de R$ 33,00 como base para abertura . Como disse o Flávio:' A isca está lançada'.
Atitude define o resultado.
Bons negócios.
13/07/2018 - Éverci Perez Lobato (Pelotas - RS)
Bom dia.
Redireciono a minha opinião também ao comentário do Sílvio, com o qual concordo.
Somente redução de oferta, por todos produtores, fará com que consigamos cobrir custos. O Paraguai até pode influenciar no volume de oferta mas, muito mais, liquida com o preço de abertura de safra.

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