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13.02.2018 | SAFRA - por Adriano Lins/JSC

Redução no preço alerta produtores do Vale do Itajaí

Valor para cada saca do produto neste ano é aproximadamente 27% inferior ao registrado na última safra

imagem SC planta 148 mil hectares do grão Foto: JSC

O arroz é um dos alimentos mais consumidos pela população brasileira e um dos cereais mais cultivados em todo o país. Representa 5,1% da produção agrícola brasileira registrada em 2017, segundo informações do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA). Em SC são 148 mil hectares destinados ao cultivo do grão. No Vale, Gaspar figura entre os principais produtores. A rizicultura é apontada como a segunda principal movimentação econômica do agronegócio no município. Ao todo, são 3.250 hectares de cultivo, que em 2017 resultaram na colheita de 185,6 sacas de 50 kg por hectare. O total é 10,5% maior do que registrado na safra anterior, quando foram colhidos 168 sacas.

A colheita deste ano iniciou no último dia 21 e prossegue até o fim de maio. A estimativa da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) é de que sejam colhidas cerca de 170 sacas por hectare, número inferior ao do ano passado. A safra poderia ser melhor, segundo os produtores, mas alguns agravantes afetaram a produtividade. O arroz começa a ser plantado em agosto e colhido no final de janeiro. Durante este período está sujeito a fatores de risco referentes ao clima.

O agricultor Sidnei de Souza e Silva possui 9 mil hectares de terras destinados à cultura do arroz. Ele relata que a produção foi afetada pelas enxurradas e com o granizo:

– Em dezembro, no período que está espigando choveu muito e isso afetou um pouco a produção. Infelizmente, não há como se proteger contra isso. Além disso, o que mais preocupa é depois da colheita, com relação ao valor aplicado pelo mercado, no preço da saca, que diminuiu muito com relação ao ano passado – comenta o agricultor.

Em 2017, a saca de 50kg de arroz era comprada em média por R$ 43. Neste ano, o preço de comercialização ao produtor é de aproximadamente R$ 31,50. Uma redução de 27% que causa preocupação aos agricultores.

– Hoje o produtor consegue pagar suas despesas, mas não consegue investir em maquinário ou aumentar a produtividade, apenas consegue replantar, e isso é ruim para a continuidade da rizicultura da região – afirma o secretário de Agricultura de Gaspar, André Pasqual Waltrick.

Waltrick alerta que os preços tendem a cair ainda mais, pois a quantidade de arroz estocado e a concorrência com produtos importados ajudam a reduzir o preço.

– Hoje o país está importando arroz do Mercosul com valor abaixo dos praticados aqui, justamente pela questão das taxas, subsídios que eles recebem, e isso se transforma em uma concorrência desleal. Um produto chega no país num patamar de R$ 20 a R$ 25 a saca, valor muito inferior ao praticado aqui – diz o secretário.

Josi Rodrigues Prestes, engenheiro agrônomo da Epagri que atua em Gaspar, afirma que esta é uma realidade constante. Para enfrentar este problema, na opinião dele a solução passa pela adequação do produtor.

– O agricultor precisa se adequar à realidade, não desperdiçando insumos, colocando tudo na ponta do lápis. Estamos trabalhando para apresentar outras possibilidades de plantio para o produtor. Neste mês, vamos realizar a apresentação do arroz arbóreo para os produtores da região, na estação experimental da Epagri, em Itajaí. Este tipo de arroz possui um menor custo de produção e um valor de venda do produto mais atrativo – revela o engenheiro agrônomo.

Movimento reúne produtores de SC e do RS

Rio Grande do Sul e Santa Catarina são os maiores produtores de arroz do país, e os rizicultores destes Estados se reuniram na última terça-feira para discutir e apresentar uma proposta sobre a situação. O encontro reuniu aproximadamente duas mil pessoas no Centro de Eventos de Turvo, reconhecida como a maior produtora de arroz em SC.

Inúmeros fatores influenciam o movimento: o excesso de oferta, consumo estabilizado, preços que não cobrem custos de produção, preço mínimo abaixo dos custos, endividamento de produtores, inadimplência alta e importação do arroz dos países do Mercosul. Ao final do evento, foi formulada uma carta aberta que será entregue aos representantes dos governos estadual e federal, com o objetivo de alertar para as dificuldades que os produtores de arroz estão enfrentando.




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comentários (3)

13/02/2018 - antonio carlos garcia rodrigues (camaqua - RS)
Arroz é U$$ 10,00...Esqueçam aqueles preços de R$ 45,00 ate R$ 50,00...Quem não se preparar para isso, pare de plantar arroz...
13/02/2018 - flavio evandro (Santa Maria - RS)
Seu Antonio Carlos deixa o dolar voltar a R$ 4, voltar os anos de El Nino, quebrar uns 30% dos lavoureiro, aumentar as exportaçoes e a sua pretensão e arrogância irão prás cucuias... A gangorra as vezes pendem prum lado, as vezes para o outro!!! Aproveite bem a fase que está mais voltada para a indústria e o varejo!!! Querem botar banca com nosso produto!!! Não sabem quanto custa para produzir, mas acham que sabem tudo!!! Que podem tudo!!! Faça um favor e pare de zombar uma classe sofrida que está remando a anos, que está cambaleante, que precisa ganhar dinheiro para honrar suas contas e manter seu patrimônio!!! Quando não tiver mais produtos são esses os primeiros a vir falar aqui que o produtor está escondendo o arroz... Milagres não existem!!!
14/02/2018 - Osni de Oliveira (Gaspar - SC)
Boa tarde
Infelizmente mais um ano perdido. Não basta os aumentos dos insumos, diesel e impostos. Nos produtores rurais sempre damos um passo a frente e três para traz. Somos um dos maiores produtores de grão, mas não somos reconhecidos, falta politicas econômicas adequadas. Creio que deveríamos largar tudo e ir para a cidade, morar nas favelas, porque lá você não custos.
Att.
Osni de Oliveira

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