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14.02.2018 | ANáLISE DE MERCADO DE ARROZ - por Cleiton Evandro dos Santos - AgroDados - Planeta Arroz

Mercado sem referências espera leilões do dia 22

Indústria voltou a sondar compras de arroz depositado, mas arrozeiro segura oferta a espera de novo piso de preços. Todos aguardam consolidação de cenários

imagem Preços devem reagir com os leilões Foto: Robispierre Giuliani - Planeta Arroz

A espera dos editais que definem os valores dos prêmios dos mecanismos de comercialização já aprovados pelo governo federal, que foram anunciados no final desta sexta-feira (9/2) o mercado de arroz do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina marcou passo esta semana, sem referências formais e baixíssimo volume de negócios. Os aguardados editais saíram no final da tarde desta sexta-feira, véspera de feriadão de Carnaval, surpreendendo até parte dos integrantes da negociação, uma vez que algumas demandas da indústria não foram respondidas. Serão leiloadas 300 mil toneladas de arroz no dia 22, às 10h, sendo 150 mil de PEP e outras 150 mil de Pepro.

Serão 270 mil toneladas concentradas para negócios com o arroz gaúcho e 30 mil toneladas em Santa Catarina. Os leilões estão autorizados por portaria publicada no Diário Oficial da União de 29 de dezembro. Está previsto valor aproximado de R$ 100 milhões para as operações, o que corresponde a aproximadamente a 1,3 milhão de toneladas. As operações de PEP e Pepro são necessárias para garantir a manutenção dos preços mínimos do arroz. Atualmente a saca de 50 kg tem o valor mínimo estipulado em R$ 36,01.

O PEP é um prêmio dado ao comprador que também escoa o produto conforme o preço fixado pelo governo. O cereal deve ser comprado diretamente do produtor rural ou cooperativa pelo preço mínimo. Já o Pepro é um prêmio ao produtor que se dispõe a vender o produto pela diferença entre o preço mínimo estabelecido e o valor do prêmio equalizador arrematado. Os valores dos prêmios serão divulgados dois dias antes do leilão (até o dia 20 de fevereiro), mas o valor de negociação não pode ser inferior ao preço mínimo de R$ 36,01, equivalente a R$ 0,7202 por quilo.

Chama a atenção que os volumes já foram separados pelas regiões, com 67,5 mil toneladas destinadas ao arroz da Fronteira Oeste, 67,5 mil toneladas para a Região Sul e 15 mil toneladas para Santa Catarina. Diferentemente do que demandavam as entidades setoriais, será permitida a venda de produto para os estados do Nordeste (a meta era limitar aos estados do extremo Norte para favorecer a exportação), e não está limitada a exportação para os países do Mercosul. A exportação tem um prazo para acontecer até o dia 24 de setembro.

EDITAIS
Os editais estão na área de downloads de Planeta Arroz, mas também poderão ser obtidos nos sites da Conab, da Bolsa de Mercadorias e das corretoras.]

CONJUNTURA

O anúncio chega num momento em que o mercado precisa de definições. A indústria apoia formalmente a iniciativa, mas tem sinalizado a preocupação de que o prazo muito curto entre os leilões dificulte o fluxo dos negócios e o giro de caixa. Ainda assim, a intenção é de que em 90 a 120 dias, ou seja, no máximo até o início de junho, todos os leilões de PEP e de Pepro sejam realizados. O setor produtivo quer reduzir este período para 60 dias.

Algumas demandas operacionais do setor industrial na semana passada foram encaminhadas para o MAPA e a Conab para melhorar o fluxo de carregamento do produto adquirido nos leilões. A expectativa é de que o valor do prêmio contemple frete e custos portuários para dar liquidez ao negócio.

MERCADO FÍSICO

Enquanto isso, o mercado físico no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina manteve-se parado. De um lado, corretoras e indústria e produtores se movimentaram agilizando documentação e contatos em busca da participação nos leilões. De outro lado, os compradores das grandes indústrias também retomaram sondagens sobre os arrozeiros que têm arroz a depósito ou em armazenagem própria. Boa parte destas empresas estava fora de mercado há semanas.

As cotações, que bateram no piso de R$ 32,00 para o grão da safra passada, já passaram a ter sondagens próximas de R$ 35,00. E com garantia de não descontar “qualidade” nas variedades IRGA 424 e IRGA 424RI, o que já dá os indícios de um novo cenário e novos patamares de negociação com o anúncio dos leilões.

Indústrias que já tinham afixado cartazes referenciais de preços de R$ 31,50 para o produto da nova safra, válidos até 1º de junho, já os estão retirando e ventilando negócio a até R$ 33,00, antecipado, para entrega na segunda quinzena de março. Ainda abaixo do preço mínimo de garantia do governo federal, que a partir de 1º de fevereiro, segundo a Conab, sobe de R$ 34,97 para R$ 36,01.

O produtor, no entanto, segue firme fora do mercado, aguardando o leilão. O lançamento dos editais no feriadão de Carnaval, porém, pode ter represado a reação do mercado. Agora, corretora, indústria e produtores correm para estar com a documentação em dia na semana que vem.

AGFs

Ficou para o final do mês a confirmação de que o governo federal vai comprar, através da Conab um volume entre 200 mil e 300 mil toneladas em Aquisições do Governo Federal (AGFs) para formação de estoques estratégicos. Hoje, o estoque público brasileiro é de 25 mil toneladas, equivalente a menos de um dia de consumo do país. A FAO recomenda um estoque estratégico de pelo menos 6%, o que no Brasil equivaleria a 720 mil toneladas, mais do que o dobro do que o setor arrozeiro está pedindo.

Mais do que enxugar o mercado, os AGFs dariam os pequenos agricultores a chance de também terem acesso aos mecanismos oficiais. A expectativa é da aprovação de 200 mil toneladas para serem adquiridas pelo governo, intercaladamente, em leilões de 50 mil toneladas, entre abril e agosto. Com isso, os mecanismos teriam potencial de anular 1,4 milhões de toneladas de arroz da pressão de oferta no primeiro semestre, o que é considerado vital para equilibrar as cotações internas pelo menos na volta dos R$ 40,00. Por outro lado, indica que as exportações devem se concentrar na primeira parte do ano comercial.

MERCADO LIVRE

Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, sem referências, os preços de arroz da safra velha oscilam entre R$ 33,00 e R$ 34,50 dependendo da região. Para a safra nova, entre R$ 30,00 e R$ 32,00. O indicador de preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul Esalq-Senar-RS fechou janeiro desvalorizado em 4%, comercializado com referência de R$ 35,85 (58x10 = 50kg) ou US$ 11,25 pelo câmbio do dia 31/1.

Nos primeiro nove dias de fevereiro, apesar do anúncio dos leilões, manteve a trajetória de queda para R$ 35,53, ou 0,9% no mês. Com o dólar saltando de R$ 3,15 para R$ 3,27 em função das turbulências na economia dos Estados Unidos e contaminado pela política brasileira, a saca equivale a US$ 10,74 (desvalorizado em 51 centavos de dólar).

MOBILIZAÇÃO

O Movimento Te Mexe Arrozeiro e entidades setoriais promoveram uma reunião em Turvo, Santa Catarina, no último dia seis na qual ratificaram as demandas setoriais. Deputados federais dos dois estados, em reunião com o ministro da Economia, definiram que vão encaminhar o tema Mercosul para discussão de uma reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex) com vistas aos prejuízos dos setores do arroz, do leite e do trigo. Os produtores ainda tentam audiências com os governadores de estado (SC e RS) e com o presidente Michel Temer.

EXPECTATIVA

A expectativa do setor arrozeiro é de que a partir dos leilões de PEP e Pepro, o piso de comercialização do arroz gaúcho e catarinense que bateu nos R$ 32,00 para produto da safra anterior e R$ 30,00 para cereal da safra nova – e se projetava R$ 28,00 – se afirme em R$ 36,01, o preço mínimo da política de garantia do governo federal. E a partir daí, com o gradativo enxugamento do mercado e exportações, passe a evoluir até cobrir os custos de produção no segundo semestre.

Analistas de mercado projetam que, se de um lado o Brasil vai retirar mais de 1 milhão de arroz do país, por outro lado, com a alta competitividade dos preços nos países vizinhos, também deverá ter um grande fluxo de importação no ano. Daí a razão pela qual as entidades estão buscando nas vias administrativas e na Justiça salvaguardas e barreiras econômicas e sanitárias contra o Paraguai, em especial, mas também a todo o Mercosul.

PREÇOS NO RS

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, trabalha com indicativos de preços médios no Rio Grande do Sul de R$ 35,50 para a saca de 50 quilos, em casca, com 58% de grãos inteiros. Embalado em 60 quilos, o arroz beneficiado, branco, Tipo 1, é cotado a R$ 77,00. Entre quebrados e derivados o farelo de arroz valorizou em fevereiro e já alcança R$ 370,00 por tonelada na região de Arroio do Meio, no Vale do Taquari, centro de indústrias de rações e produção avícola e suína. Enquanto isso, com a demanda africana mantida para os quebrados, o canjicão tem preço médio de R$ 51,00 e a quirera de R$ 43,00.

SAFRA

De acordo com o 5º levantamento de safra da Conab, divulgado na última quinta-feira (8), o Brasil vai reduzir sua área plantada de arroz em 1,8% com relação à safra passada. A produtividade média deve ser de 5.984 kg/ha. A produção, segundo o levantamento, ficará em 11,639 mil toneladas. No Rio Grande do Sul a colheita fica em torno de 1% das áreas, pouco mais de 10 mil hectares, de lavouras plantadas no cedo.

O Boletim Semanal da Emater/RS aponta que o clima continua favorável para o desenvolvimento da cultura, sendo que as lavouras semeadas no início do período favorável começam a entrar em maturação, condição essa que alcança 6% da área semeada nesta safra (1,1 milhão de ha). As primeiras colheitas deverão iniciar em poucos dias. Até o momento o potencial produtivo tem se mantido sem alteração, podendo se inferir que a produção deverá ser semelhante à do ano passado, girando ao redor das 8,5 milhões de toneladas.

As lavouras, em sua maioria, estão limpas, bem manejadas e com boa disponibilidade de água para irrigação, com algumas exceções na região da Campanha e do Centro Sul do Estado, onde a estiagem tem se mostrado mais persistente e os mananciais hídricos começam a atingir cotas abaixo do esperado para o momento.

A barragem do Arroio Duro, por exemplo, principal fonte de abastecimento e irrigação da cultura na região de Camaquã e entorno, está com um volume armazenado de apenas 38% de sua capacidade.

Se na parte da produção os orizicultores não enfrentam problemas, na comercialização o cenário é distinto. A iminente entrada do arroz desta safra poderá pressionar ainda mais as já defasadas cotações do produto, dificultando a comercialização e estreitando as potenciais margens de lucro, quando houver. Preço médio da saca de 50 quilos: R$ 36,02 (-1,56%).

EXPORTAÇÕES

Depois de alcançar um recorde de vendas em dois anos no mês de janeiro, de 161 mil toneladas, contra 77 mil toneladas importadas, e reduzir o déficit da balança comercial do arroz para 101 mil toneladas, o Brasil agora trabalha para zerar este indicador negativo. No total do ano foram exportadas 903,5 mil toneladas contra a importação de 1,001 milhão de toneladas.
Em fevereiro, o Brasil está fechando, extraoficialmente, mais 150 mil toneladas de embarques, sendo 90 mil de arroz em casca (três navios), alguns embarques em contêineres com rumo ao Peru, em especial, e outros 58 mil toneladas de quebrados de arroz para a África.

O volume de fevereiro pode aproximar-se das 161 mil toneladas negociadas em janeiro, por causa dos baixos preços praticados no mercado entre novembro e o início de janeiro.
Com os estoques baixos nos países vizinhos, oferta quase só de arroz verde/recém colhido, que demandam 60 dias de maturação para beneficiamento e venda ao consumidos, e preços praticamente se equivalendo, a expectativa é de que as importações se mantenham abaixo de 80 mil toneladas.

PREÇOS INTERNACIONAIS

A FAO apontou uma valorização de 5,5% nos quatro tipos de arroz que avalia no seu indicador mundial de preços do arroz: Índica de alta e baixa qualidade, Japônica e Aromáticos. No ano a valorização acumulada nos preços internacionais foi de 18,3% pela retração dos estoques na Índia e Tailândia – maiores exportadores mundiais – e da China e o maior volume de importação dos chineses e de países como Bangladesh, Filipinas, Sri Lanka e outros asiáticos. A retração na produção dos Estados Unidos e, para 2017/18 também do Mercosul, manteve o mercado global mais ajustado, com uma projeção de que a oferta e os estoques devem cair levemente e manutenção das cotações internacionais.

PREÇO AO CONSUMIDOR

O Dieese indica que no mês de janeiro com o custo do conjunto de alimentos essenciais aumentou nas 20 capitais em que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. As altas mais expressivas ocorreram em João Pessoa (11,91%), Brasília (9,67%), Natal (8,85%), Vitória (8,45%) e Recife (7,32%). As menores taxas positivas foram anotadas nas cidades de Goiânia (0,42%) e Manaus (2,59%).

A cesta mais cara foi a de Porto Alegre (R$ 446,69), seguida do Rio de Janeiro (R$ 443,81) e São Paulo (R$ 439,20). Os menores valores médios foram observados em Salvador (R$ 333,98) e Aracaju (R$ 349,97).

Em 12 meses, entre janeiro de 2017 e o mesmo mês de 2018, 14 cidades acumularam diminuição. Merecem destaque as reduções anotadas em Manaus (-9,93%), Belém (-9,70%) e Salvador (-7,16%). As altas foram registradas em seis cidades e as mais expressivas ocorreram em Natal (3,11%) e Recife (2,90%).

Em 12 meses, o preço do arroz baixou em todas as capitais brasileiras. Destaque para Cuiabá (MT) onde a retração nos preços chegou a 31%, e Aracaju (SE), onde a queda foi de apenas 4,6%, a menor. Em grandes centros de consumo houve quedas de 10,87% em Recife (PE), 9,57% em Belo Horizonte (MG), 7,58% no Rio de Janeiro (RJ), 6,75% em São Paulo (SP), 16,25% em Florianópolis (SC) e 12,75% em Porto Alegre (RS).

No levantamento quinzenal realizado pelo site www.planetaarroz.com.br em seis capitais brasileiras, o maior preço encontrado entre as máximas para o saco de cinco quilos de arroz branco, Tipo 1, foi de R$ 21,98 no Rio de Janeiro (RJ), enquanto o menor preço entre as mínimas foi identificado em Porto Alegre (R$ 9,58). Na média os preços têm variado entre R$ 11,15 e R$ 11,49.

Em ofertas de varejo é possível encontrar, em especial nos finais de semana, cinco quilos de arroz de marcas dos varejistas ou de menor expressão no mercado até R$ 7,68. A expectativa é de que até junho os preços médios do grão no varejo não tenham alteração substancial, considerando que as empresas estão abastecidas, as importações devem continuar – considerando uma elevação nos patamares dos preços internos – e não há risco de desabastecimento.




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comentários (1)

13/02/2018 - Miguel Andre Barbosa da Silva (Barra do Ribeiro - RS)
Pois mais uma referencia pro mercado: frio de 12 graus com grande parte da lavoura em flor. O tempo dirá de quanto foi a quebra.

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