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08.11.2017 | ANáLISE DE MERCADO - por Cleiton Evandro dos Santos - AgroDados - Planeta Arroz

Recuperação de preços do arroz tem bases sólidas

Expectativa é de que novembro mantenha trajetória de alta, apesar dos revezes e de eventuais oscilações

imagem Parte da lavoura recém está em emergência, mas metade ainda não foi plantada Foto: Divulgação

Depois de registrar uma leve recuperação de 0,9% em outubro, invertendo a tendência de um mês que começou em baixa histórica, os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul aceleraram a reação e o mercado trabalha com novo piso de preços, acima dos R$ 37,20. No dia 31 de outubro o indicador Esalq-Senar/RS da saca de 50 quilos do arroz em casca (58x10) no Rio Grande do Sul batia na casa de R$ 36,75, o equivalente a US$ 11,22 por saca.

Nos sete primeiros dias de novembro, no entanto, as cotações aferidas pelo Cepea/Esalq aceleraram a recuperação e chegaram a R$ 37,29 por saca, acumulando expressivos 1,47% de alta em moeda brasileira, e se equivalendo a US$ 11,37 em dólares. Alguns fatos tiveram relevância nesta mudança de patamares dos preços médios que chegaram encostar nos R$ 34,00 por saca na Depressão Central gaúcha. Em primeiro lugar, o segmento produtivo considera que houve um movimento das indústrias no sentido de elevar artificialmente as cotações que estavam chegando abaixo dos preços mínimos da cultura – R$ 34,97 – e isso poderia gerar intervenção no mercado, com o governo federal retirando até 300 mil toneladas de grão via PEP e Pepro.

A leitura do setor é de que esta mexida no mercado – pelos volumes e valores envolvidos - não deveria ter grande impacto na reação de preços, mas como o mercado do arroz é sempre imprevisível, o temor era de que uma recuperação mais forte agora não mantivesse a garantia de estoque tão barato na entrada da safra. O final dos estoques de empresas de pequeno porte, também ajudou a aquecer a demanda. Associados a isso, três outros fatores são importantes de registro: os preços médios caíram tanto no Sul do Brasil que o arroz passou a ser competitivo para as exportações. Tanto que em setembro e outubro o Brasil exportou cerca de 200 mil toneladas – o segundo e o terceiro melhor volume – com superávit comercial no bimestre. Com a exportação “dando jogo”, a expectativa começa a ser de um estoque de passagem menor do que estava sendo projetado. E isso ajudou a recompor os preços.

Para ajudar, o segundo fator é a disponibilidade de estoques do Mercosul. O Paraguai está raspando seus armazéns para enviar os últimos estoques ao Brasil até dezembro, quando começa a entrar a nova safra. Porém, o arroz precisa de pelo menos 45 dias em descanso, após descascado, secado e maturado, para “maturar” ao nível de melhor aproveitamento de suas características. Com baixas disponibilidades do arroz mais barato do bloco comercial, e o produto interno com valores praticamente igual, as indústrias do Brasil Central passaram a reduzir sua demanda. A competitividade foi reduzida. E mesmo os paraguaios passaram a sentir o drama de vender barato, pois a renda dos produtores começou a ser afetada.

Por fim, a apreciação do dólar frente ao real, que elevou os patamares para R$ 3,25 (ante R$ 3,15 de algumas semanas atrás) também ajudou a reduzir a competitividade do arroz do Mercosul perante o brasileiro – que se tornou atraente a outros mercados. O Brasil voltou, então, a exportar mais quebrados de arroz para a África. E beneficiado para as Américas e Caribe. A expectativa é de que o Brasil exporte perto de 850 mil toneladas e importe pouco mais de 1,1 milhão, reduzindo a projeção de déficit, que poderia chegar a 500 mil toneladas conforme projeções de 60 dias atrás.

Paralelamente a isso, entidades setoriais gaúchas geraram expectativa no bloco comercial com denúncias aos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior de que nas condições praticadas em 2017, as importações estariam quebrando regras do Mercosul. Diante de condições especiais, nas quais fiquem comprovadas ações de países vizinhos em dano às cadeias produtivas locais – e vice-versa – existe a possibilidade do país adotar salvaguardas, como barreiras tarifárias.

É neste sentido que a Federarroz vem trabalhando para provar ao governo brasileiro que é necessário estabelecer cotas de importação ao Mercosul. Estas cotas deveriam ser fixadas em torno de 750 mil toneladas de arroz, sendo 300 mil do Paraguai e 225 mil do Uruguai e o mesmo volume da Argentina. Volumes acima destes valores passariam a ter a incidência de taxas que poderiam variar de 7% a 21% de acordo com o avanço das compras.

SAFRA

Outro fator que está afetando as cotações indiretamente é o atraso significativo na semeadura das áreas gaúchas, que respondem por 71% da produção nacional. O estado iniciou novembro com apenas 37,5% da área plantada, muito atrasado em relação aos anos anteriores. Para esta semana a expectativa é de um avanço mais vigoroso na Campanha e na Fronteira Oeste e litoral, para pelo menos 50%, ainda em atraso. Na Depressão Central, voltou a chover nesta terça-feira. Apenas as lavouras concluídas até 20 de novembro, dependendo da região, estarão semeadas dentro do período recomendado, o que traz riscos produtivos, mas também afeta critérios do seguro agrícola e do financiamento. Além disso, o planejamento de semeadura do arroz começou a “embolar” com o planejamento para semear a soja em várzea em muitas lavouras. E isso poderá afetar também o rendimento da oleaginosa no campo e na comercialização.

ESTADOS

Segundo dados da Conab, em Santa Catarina, apesar da queda nos valores comercializados durante a entressafra, de R$ 40,00 para R$ 38,00, os preços seguem estabilizados entre R$ 38,00 e R$ 39,00 para o arroz em casca, com leve superioridade ao praticado no Rio Grande do Sul. Importadora de 500 mil toneladas por ano, para movimentar sua indústria, Santa Catarina tem adquirido também o arroz paraguaio.

Já no Mato Grosso, a liquidez se mantém baixa no mercado. As indústrias estão abastecidas até a próxima safra e os produtores estão voltados ao plantio da soja e planejamento para a segunda safra, que tem expressiva área de arroz – em torno de 10 mil hectares – irrigada por aspersão. Essa situação levou a uma valorização pequena na região, mas suficiente para superar o preço mínimo governamental. Em média, a saca de 60 quilos do grão (55% de inteiros) obtém cotação de R$ 42,45.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, mantém indicadores médios na faixa de R$ 37,00 para a saca de 50 quilos de arroz em casca (58x10) no Rio Grande do Sul. O produto beneficiado (branco, Tipo 1) em sacas de 60 quilos mantém o preço de R$ 78,00. Com o aumento da demanda por quebrados para exportação para a África desde setembro, o canjicão se elevou em R$ 1,00, para R$ 52,00 por saca de 60 quilos. No mesmo peso, quirera se manteve estável em R$ 43,00, apesar de mais demandada. O farelo de arroz vale R$ 360,00 colocado em Arroio do Meio, zona de produção de rações para aves, suínos e bovinos de leite.

PREÇO AO CONSUMIDOR

A pesquisa mensal de preços da cesta básica de alimentos nas capitais brasileiras, desenvolvida pelo Dieese, indicou que o preço do arroz diminuiu em 17 cidades e os percentuais oscilaram entre -3,26%, em Maceió, e - 0,34%, em São Paulo. As altas ocorreram em São Luís (0,37%), Curitiba (0,40%), Brasília (1,32%) e Belém (2,72%). Em 12 meses, houve redução em todas as cidades. Destacaram-se as quedas ocorridas em Cuiabá (-28,39%) e Vitória (-22,07%). Apesar de os produtores terem estocado o grão à espera de maior preço, o valor seguiu em baixa pela pouca demanda e oferta elevada, segundo o relato. Ainda nota-se farto volume de oferta nos impressos das grandes redes, com pacotes de cinco quilos abaixo de R$ 10,00. Algumas promoções de marcas de menor expressão chegam a alcançar valores menores do que R$ 8,00. Neste momento, quem está ganhando com a crise no setor é o consumidor que pode escolher arroz de alta qualidade ao preço de Tipo 2 ou Tipo 3.

TENDÊNCIAS

A expectativa do setor é de que novembro seja marcado por uma recuperação mais sustentada pelos fundamentos que geraram a pequena recuperação iniciada em meados de outubro: atraso no plantio e previsão de uma produção ainda menor do que já era esperada, avanço das exportações, redução nas importações – e ajuste na balança comercial do grão -, dólar em direção aos R$ 3,30, baixos estoques de oferta do Mercosul e demanda mais forte das pequenas indústrias que não estão abastecidas para janeiro e fevereiro. Em contrapartida, o consumo cai nos próximos três meses, e isso é preocupante.

Mantida a média semanal de recuperação registrada na primeira semana de novembro, 1,47%, o avanço poderia levar os preços médios de volta a um patamar muito próximo de R$ 40,00, fechando a segunda semana em R$ 38,76, a terceira a R$ 40,23 e a última em R$ 41,70, próximo do custo estimado da saca para esta temporada na Fronteira Oeste, que é pouco superior a R$ 42,00. Mas, em se tratando de arroz, nenhuma lógica é precisa, ainda que as bases indiquem o avanço dos preços.




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comentários (6)

08/11/2017 - flavio evandro (Santa Maria - RS)
Mas até meu piá que tá aprendendo a falar já sabia... acabaram as prorrogaçoes, securitizacao, pesa, egf e rapassem o tacho que os preços subiriam. Mas os babaca seguem largando semente na terra!!! Ano que vem vão vender a 28 pila... Vai ser a pá de cal... E a industria ficará sem seu bibelô que plantam apenas pela bóia e olhe lá... O começo da mudança passa pela reversão ao protecionismo e nacionalismo... Economia de blocos não funciona para a agricultura. Basta minha gente! Está na hora de acordar... De ir atrás... As coisas não cairão do céu!!! Vamos mudar esses deputados e senadores não representam os nossos interesses!!! Fazem de conta, mas é a indústria que eles defendem...
09/11/2017 - Alexandre Dutra (Bagé - RS)
Quando acabar aqui, buscamos de fora, simples assim.
Até o senhor seu Flavio Evandro vai pagar mais caro pelo arroz na gôndula do supermercado ai em Santa Maria - RS.
Até parece revoltado senhor Flavio, mas é só o senhor, por que me lembro que alguns anos atras os famosos deputados esse que o senhor não gosta, cansaram de vir a Bagé e Dom Pedrito e lotar as rurais e os CTGs da região com um bando de produtores babacas como o senhor disse.E esses mesmos deputados alguns até com nomes citados na lava-jato nunca moveram uma palha para melhorar nossa região, até uma barragem em construção em Dom Pedrito deixaram a obra parar. Por isso eu não tenho pena, o caos que tá hoje na produção de arroz, é o resultado plantado a 8, 10 anos atras. Olho vivo pessoal.
11/11/2017 - luiz roger rabelo melo (fortaleza - CE)
Parabéns sr. ALEXANDRE DUTRA. Em 11 linhas vc muito bem definiu o cenário, ou seja, o que manda são as leis do mercado. Quase arrisco a dizer que esta também é uma lei da natureza, como a gravidade. protecionismo, nacionalismo só atrapalha. podemos ter a sensação de melhoras, mas certamente termina mal. Acredito na máxima: mais mercado menos governo. Quando vcs agricultores do RS, responsaveis por mais de 70% da safra de arroz, se organizarem e controlarem o produto no mercado terão preços justos. quando muitos entenderem que as vezes 2 é maior que 3 a coisa melhora. digo reduçao de área plantada na prática e não na boca.
12/11/2017 - flavio evandro (Santa Maria - RS)
Adoro quando a corvaiada se manifesta. Em breve a Anvisa vai acordar e trancar a entrada desse arroz puro veneno chinês que està chegando do mercosul... livre mercado é o que existe nos EUA... aqui podemos chamar de concorrência desleal, predatoria, imperfeita... como não proteger o produtor? Mas de que jeito... é só na Republica do Pão e Circo que se vê isso!!! E com o dolar reagindo, as exportaçoes aumentando, os corvos vão ter que rebolar atrás de arroz até janeiro... Corvo não gosta de quem produz... gosta só de explorar!!! Se matarem a galinha dos ovos de ouro vão viver do quê??? Argentina e Urugay já aprenderam que produzir arroz barato com custo alto é a maior fria... O Paraguay em breve conhcerá isso. Duvido que consigam mandar arroz a R$ 28 por muito tempo para cá... Enquanto seguem envenando o pessoal do centro e norte do nosso país...
13/11/2017 - Joao Rodrigues (Alegrete - RS)
Protecionismo e nacionalismo só atrapalham?? Acredito que precisamos acabar com o Mercosul e fazer somente trata
13/11/2017 - Joao Rodrigues (Alegrete - RS)
Acredito que devemos acabar com o Tratado do Mercosul e começar a fazer tratados bilaterais seguindo o que os EUA e REINO UNIDO estão fazendo. O que acordo com Uruguai vai nos trazer de beneficios??? Se os países ricos como esses que mencionei são protecionistas e nacionalistas (vide TRUMP e a saída do Reino Unido da União Europeia ) pq nõs não podemos ser? Livre mercado só fora dos EUA para empresas americanas, vai ver como é dentro da Casa deles. Precisamos proteger o produtor, a industria, o trabalhador brasileiros.

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