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08.08.2017 | ANáLISE DE MERCADO - por Cleiton Evandro dos Santos - AgroDados - Planeta Arroz

Defasagem nos preços do arroz põe em risco a próxima safra

Preços retraíram 0,6% nos oito primeiros dias do mês de agosto, com indústria e produtores aguardando os próximos movimentos de oferta x demanda. Federarroz defende uma retração de 250 mil hectares cultivados no Mercosul

imagem Preparo de solo avança com tempo bom Foto: Marcus Tatsch

A estagnação dos preços do arroz em casca no Brasil em pleno mês de agosto deflagrou um movimento pela redução de área cultivada em todos os quatro países do Mercosul: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, para a temporada 2017/18, puxada pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). Ao contrário da expectativa inicial e da trajetória de alta iniciada em agosto de 2016, o mês atual registra a queda das cotações abaixo dos R$ 40,00 nos oito primeiros dias. O indicador de preço à vista da saca (50kg) do arroz em casca (58x10) Esalq – Senar/RS acumula 0,62% de queda em agosto, com a matéria-prima cotada a R$ 39,94. Pelo câmbio do dia (R$ 3,13 = US$ 1,00) a saca de arroz equivale a US$ 12,79.

Há um ano, a saca de arroz no Brasil era cotada a R$ 50,13, equivalente a US$ 15,61. Em reais, as cotações atuais são 20,3% menores. Em dólar, a desvalorização foi de 18%. Com estes valores, o arroz brasileiro segue com dificuldades de exportação por estar caro em dólar diante dos preços internacionais. Em contrapartida, o mercado nacional se mantém muito atraente para os exportadores do Mercosul. Arroz paraguaio chega em São Paulo por valor equivalente a US$ 12,00, ou R$ 37,56 pelo câmbio desta terça-feira, dia oito de agosto.

Em julho os preços internacionais caíram na Ásia, depois de um primeiro semestre de recuperação, por causa de uma menor demanda dos países importadores. Novos e importantes contratos nos primeiros dias de agosto garantiram uma leve recuperação, mas que não chega a entusiasmar. Em contrapartida, com a previsão de que a safra estadunidense que começa já na próxima semana deve ser menor e que a área para a próxima temporada sofrerá um recuo de 20% - mais a abertura do mercado para a China que abre grande expectativa –, além do pico da entressafra, os preços de exportação do arroz dos EUA tiveram evolução de 6%. O USA 2/4 passou de US$ 500,00 por tonelada FOB para US$ 530,00 (FOB Golfo).

A pressão de oferta da grande safra brasileira, associada às importações que ganharam impulso desde o início do ano por causa da relação cambial, estabeleceu a principal causa da queda dos preços internos. Está difícil superar a barreira dos R$ 40,00 por saca porque este valor, em reais, equivale ao teto de preços em dólar do Mercosul. Para a indústria brasileira, em especial do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, por questões tributárias e de logística e preços, vale muito mais a pena adquirir grão do Paraguai do que do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por preços competitivos e fretes também mais em conta. O Uruguai segue vendendo bem para São Paulo e para o Nordeste brasileiro, enquanto a indústria gaúcha sofre restrições para importar porque precisa obedecer limites de compras de produtores locais para manter as vantagens tributárias que o governo oferece.

Crédito

Em termos de crédito para a próxima safra, há três informações importantes. A primeira é de que as entidades representativas estão correndo atrás do Banco do Brasil para fazer valer a prorrogação das parcelas de julho e agosto para outubro e novembro. Ocorre, porém, que diversos arrozeiros entraram em contato com a entidade e com a revista Planeta Arroz, reclamando que o Banco aceita prorrogar as parcelas de custeio daqueles cujo contrato teria o primeiro vencimento em julho, mas quem pagou a primeira parcela em junho tem sido impedido de parcelar. Produtores de Santa Catarina também estão argumentando que algumas agências bancárias dizem “desconhecer” a orientação pela prorrogação do custeio.

Cresceu este mês o movimento de produtores buscando contratar o custeio direto com as indústrias via CPRs. Como este modelo de contrato é questionável na Justiça, segundo anunciou a Federarroz, e como houve crescimento da inadimplência na temporada passada, as indústrias estão mais seletivas este ano e o crédito está levemente mais caro, mesmo com a queda das taxas de juros e da previsão de inflação no País. Na Depressão Central, aumentou também o nível de exigência dos contratos para as cultivares a serem utilizadas neste modelo de custeio.

Nova safra

Diante das inúmeras dificuldades, o presidente da Federarroz, Henrique Dornelles, anunciou uma cruzada pela redução da área semeada no Mercosul. Segundo ele, não é apenas o Brasil que deve diminuir o tamanho da colheita para equilibrar os preços, mas em função dos custos e da necessidade de “salvar” o mercado brasileiro, é necessário que Argentina, Paraguai e Uruguai também dimensionem a cultura à demanda. “Precisamos reduzir 250 mil hectares cultivados nos quatro países para equalizar o mercado e as cotações se tornarem superiores ao custo”, avisa. O problema é que pregar a medida não é difícil, mas aplica-la são outros quinhentos. Quem garante que em função da retração de uns outros não aumentarão a área. Que tipo de confiança teria o Mercosul no Brasil se, por exemplo, os vizinhos reduzirem as lavouras e a gaúcha e catarinense se mantiveram ou até aumentarem? Trata-se de uma situação muito complexa. De qualquer maneira, a expectativa das consultorias é de que haja uma retração de área no Brasil, em especial no Rio Grande do Sul, na Argentina e, em menor volume, no Uruguai.

Exportações

Com a retração nas exportações brasileiras nesta temporada para o continente africano, que tradicionalmente adquire de 350 mil a 500 mil toneladas de arroz beneficiado e, principalmente, quebrados de arroz, está sendo pensado o envio de uma missão de lideranças arrozeiras aos países que mantêm tradicional parceria de negócios com o Brasil nesta área. A proposta foi apresentada pelo diretor comercial do Irga, Tiago Sarmento Barata, ao conselho do instituto em recente reunião, e também a integrantes da Câmara Setorial do Arroz. Deve ser implementada até setembro e incluirá também agentes de negócios.

Farinha

Por unanimidade de votos, a Assembleia Legislativa gaúcha aprovou, nesta terça-feira (08), o projeto de lei encaminhado pelo Executivo que incluirá a farinha de arroz na lista de produtos da cesta básica de alimentos. Além de estimular o consumo, a medida beneficia pessoas que necessitam da dieta isenta de glúten, como é o caso de quem sofre da doença celíaca.

Com a redução do Icms de 12% para 7%, que é a alíquota empregada para os produtos da cesta básica, a Receita Estadual avalia que haverá ganho para toda a cadeia, a partir da industrialização de produtos que utilizem o ingrediente na sua mistura. Para equiparar o tratamento tributário do subproduto do arroz às demais farinhas, a Secretaria da Fazenda (Sefaz) avaliou uma série de pedidos de entidades do setor, como o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz) e a Federação das Cooperativas de Arroz do Rio Grande do Sul (Fearroz).

A Fazenda prevê compensar as perdas de arrecadação com a redução do imposto, estimadas em de R$ 504 mil ao ano, com o próprio incremento que a industrialização da farinha de arroz trará para o setor.

 Intolerância ao glúten 

Outro fator que pesou na decisão foi o número de pessoas com intolerância ao glúten. Um levantamento da Associação dos Celíacos do Brasil (Acelbra-RS) mostra que 1% da população mundial sofre da doença, caracterizada por uma inflamação grave do intestino, que leva à desnutrição pela má absorção dos nutrientes.

Com a inclusão da farinha de arroz na cesta básica, os pacientes terão os produtos sem glúten com preços mais acessíveis. No Brasil, cerca de dois milhões sofrem da doença celíaca.

Preço ao consumidor

O relatório mensal de preços da cesta básica realizado pelo Dieese apontou que o preço do arroz diminuiu em 21 cidades, e as taxas oscilaram entre -7,44%, em Manaus, e -0,27%, no Rio de Janeiro. Não houve variação de preço em Brasília e as maiores altas foram anotadas em Salvador (2,74%) e Florianópolis (1,88%). Em 12 meses, 19 cidades mostraram decréscimos, com taxas que variaram entre -22,64%, em Cuiabá, e -0,73%, em João Pessoa. Já as maiores altas ocorreram em Salvador (8,78%) e Manaus (6,95%). O baixo ritmo de negócio entre as indústrias e os produtores e a menor demanda explicaram o movimento de queda na maior parte das capitais do país, segundo avaliação do organismo de pesquisas.

Mercado

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica média de preços de R$ 40,20 para a saca de arroz de 50 quilos, em casca, à vista, no Rio Grande do Sul. Para a saca de 60 quilos do cereal beneficiado (branco, Tipo 1) o valor referencial apurado se mantém há mais de um mês em R$ 83,00 (sem ICMS). Canjicão e quirera, ambos em sacos de 60 quilos, mantêm preços inalterados em R$ 51,00 e R$ 45,00 respectivamente. Já o farelo de arroz perdeu valor na última semana, em especial pela entrada do milho de segunda safra a preços competitivos no mercado, e agora a tonelada é cotada a R$ 380,00 na região de Arroio do Meio, polo de produção de aves, suínos e leite, e fabricação de rações para consumo animal. A desvalorização nos últimos 10 dias bateu em 5% (equivalente a R$ 20,00 por tonelada). 




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comentários (2)

09/08/2017 - antonio carlos garcia rodrigues (camaqua - RS)
Não vão reduzir Área...Conversa Fiada...Só terá redução de volume de Arroz, em ano de Clima Adverso e pouca Produtividade....FATO....Do contrario, serão os mesmos Números ano apos ano.....O Negócio e Exportar , torcer para Dolar subir, e que Uruguai, Argentina e Paraguai procurem outros Mercados....
09/08/2017 - Antonio Paulo (Três Cachoeiras - RS)
arroz no uruguai a menos de 10 dolares....esquece aumento de preços do casca.

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