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07.10.2019 | Defensivos agrícolas

Misturas de herbicidas em tanque: entenda as possíveis interações

por Keli Souza da Silva, Coordenadora de pesquisas em Herbologia da Agrum - Agrotecnologias Integradas, editora do WeedOut

A incompatibilidade química na mistura de herbicidas em tanque pode levar a formação de precipitados que obstruem o sistema de filtros do pulverizador A incompatibilidade química na mistura de herbicidas em tanque pode levar a formação de precipitados que obstruem o sistema de filtros do pulverizador

Aumento do espectro de controle, atividade residual, atraso na evolução da resistência e economia de recursos. Essas são apenas algumas das vantagens das misturas de herbicidas em tanque. Por outro lado, incompatibilidades podem comprometer completamente a aplicação.

Saiba mais sobre as possíveis interações e acerte na mistura!

Embora comumente utilizada no campo, no Brasil, a regulamentação de misturas em tanque veio apenas em 2018, pela Instrução Normativa Nº 40. Ela prevê a indicação no receituário agronômico, das informações relativas à mistura, assim como, sobre possíveis incompatibilidades e advertências específicas para a aplicação. A IN alerta ainda para a necessidade da correta interpretação das recomendações, aplicação das boas práticas agrícolas e do embasamento científico para a mistura.

A mistura ideal

Seria aquela onde a combinação de herbicidas promove aumento da atividade sobre as plantas daninhas e reduzida toxicidade para as culturas. Mas infelizmente, nem sempre é o que acontece.

O comportamento de cada herbicida na mistura é frequentemente afetado pelos outros produtos presentes, assim como adjuvantes e pela qualidade da água. Além disso, a atividade da mistura depende da espécie alvo, estágio de crescimento e das condições ambientais. Assim, podem ocorrer três efeitos.

Interações nas misturas de herbicidas

• Efeito aditivo: quando aplicado separadamente, cada herbicida tem um efeito, certo?! Quando em mistura, o controle obtido será resultado da adição desses efeitos. Ou seja, não há nenhuma interferência na atividade dos herbicidas.
• Sinergismo: nesse caso, a atividade da mistura é superior a soma dos efeitos dos herbicidas quando isolados.
• Antagonismo: mas, como nem tudo são flores, muito frequentemente, a atividade da mistura é menor do que a soma do controle obtido quando os herbicidas são aplicados isoladamente. Ou seja, um ingrediente ativo compromete a atividade de outro ingrediente ativo.

Positivas ou negativas?

A resposta é o clássico "depende"! Nesse caso, depende principalmente do alvo. Embora misturas sinérgicas sejam desejadas, a aumentada atividade pode se estender à cultura, causando perdas, como resultado das injúrias causadas. Da mesma forma, interações antagonísticas normalmente resultam em comprometimento do controle por algum dos herbicidas na mistura. Por outro lado, quando o antagonismo é conhecido, pode ser utilizado para aumentar a seletividade para a cultura. Um exemplo é a mistura de fenoxaprope-etílico com MCPA, que reduz a fitotoxicidade do graminicida para as culturas do trigo e cevada (Deschamps et al., 1990).

Além disso, as interações entre herbicidas e outros compostos podem ser utilizadas para modular o espectro de atividade. Esse é o caso dos antídotos ou safeners que podem ser adicionados nas formulações ou ainda, no tratamento de sementes.

Mecanismos de interação entre herbicidas

• Bioquímicos: um herbicida interfere na absorção, translocação ou metabolismo do outro, reduzindo a concentração que chega até o sítio de ação.
• Competitivos: nesse caso, um herbicida da mistura afeta a ligação do outro ao sítio de ação.
• Fisiológicos: os herbicidas combinados na mistura possuem efeitos fisiológicos complementares ou opostos. Um exemplo é o sinergismo entre inibidores da síntese de carotenoides e do fotossistema II. A ausência dos carotenoides para dissipar o excesso de energia gerado pela interrupção do fluxo de elétrons potencializa o controle.
• Químicos: reações químicas na mistura de herbicidas levam à formação de complexos biologicamente inativos. Nesse mecanismo, normalmente a reação ocorre na calda de pulverização ou na superfície pulverizada. Precipitações, formações de géis e entupimentos também são comuns nesses casos (Figura 1).
Ainda, é possível que mais de um mecanismo esteja envolvido na interação.

Como o efeito é verificado?

As informações disponíveis na literatura são fruto de experimentos conduzidos em casa de vegetação ou em campo. São usados ensaios de única dose, comparando o efeito exercido pela dose de rótulo do herbicida A com a dose de rótulo do herbicida B, isolados e em mistura. Ou ainda, o efeito isolado e em mistura, através de curvas de dose-resposta, com múltiplas doses. As possíveis interações são verificadas através de modelos matemáticos, como o multiplicativo e o dose-aditivo.

Fatores que afetam a eficiência das misturas de herbicidas

Conhecer as características físico-químicas dos herbicidas a serem combinados é fundamental. Grupo químico, mecanismo de ação, rotas de absorção, translocação e metabolismo são propriedades que influenciam decisivamente na compatibilidade.
Sabendo da importância, o site WeedOut reúne essas informações na série "Conheça e aplique melhor". Para acessar o conteúdo, basta clicar aqui.

De modo geral, herbicidas do mesmo grupo químico, mecanismo de ação e rotas similares de metabolismo tendem à misturas sinérgicas. Por outro lado, quando essas características são muito diferentes, a mistura tende ao antagonismo.

Herbicidas absorvidos e translocados pela mesma rota tendem a competir, reduzindo a eficiência da mistura. O ideal seria misturar um herbicida absorvido via foliar com outro absorvido pelas raízes. Ou ainda, um altamente móvel com outro com baixa mobilidade. Porém, atenção para a velocidade de ação. Uma vez que um herbicida lesou os tecidos, pode reduzir drasticamente o movimento do outro presente na mistura.

Uma prática comum é a mistura de herbicidas graminicidas com latifolicidas, com o objetivo de ampliar o espectro de controle. No entanto, frequentemente resulta em antagonismo, com reduzido controle das gramíneas. A interação negativa costuma ser atribuída à redução na absorção e translocação do graminicida. A adição à calda de pulverização de adjuvantes e aditivos que favorecem a absorção contribui para amenizar o antagonismo.

Além disso, os pontos de crescimento das gramíneas são protegidos pela bainha da folha e os nós consistem em obstáculos que dificultam a translocação. Em alguns casos, essas características contribuem para a redução do controle dessas plantas pela mistura de graminicidas + latifolicidas.

Alguns relatos de antagonismo nas misturas de herbicidas

Bentazon + setoxidim

Ocorre antagonismo químico. A eficácia do setoxidim é reduzida na presença de bentazon devido à troca dos íons Na+ com o H+ do radical hidroxila do graminicida, formando sal sódico de setoxidim. A reação compromete a absorção e translocação do herbicida, já normalmente reduzidas.

Alguns relatos estendem o antagonismo à todas as ciclohexanodionas, o grupo químico dos "dins", dos inibidores da ACCase. Cletodim é outro exemplo. Quando em mistura, uma prática é aumentar a dose do graminicida.

Arilofenoxipropionatos + mimetizadores de auxinas

Herbicidas pertencentes a este grupo químico, como fenoxaprope-P-etílico e haloxifope-P-metílico apresentam atividade antagonista quando misturados com auxinas sintéticas. Os graminicidas causam a despolarização da membrana, enquanto os auxínicos, repolarizam o potencial, pela estimulação da atividade da ATPase, restaurando a homeostase citoplasmática.

Além disso, os graminicidas inibidores de ACCase são comumente apontados por terem a atividade reduzida quando em misturas de tanque. São relatadas interações que resultam em antagonismo com sulfoniluréias, imidazolinonas, 2,4-D, carfentrazone, metribuzin, dicamba, acifluorfem-sódico e piritiobaque-sódico.

Paraquat + MCPA

Reações químicas entre o íon paraquat positivamente carregado com o MCPA, em sua forma iônica, com carga negativa, são apontadas como causa do antagonismo. De modo geral, a ação de MCPA reduz a translocação via simplasto. O que é apresentado como causa para a redução da atividade também de outros herbicidas em mistura.

Glifosato + herbicida de contato

A mistura costuma ser aditiva em plantas daninhas anuais. No entanto, em espécies perenes, com sistemas de reserva bem estruturados e onde é necessária uma boa translocação do herbicida sistêmico, pode ocorrer antagonismo devido ao rápido comprometimento dos tecidos, pelo paraquat.

Bispiribaque-sódico + Cialofope-butílico

Forte antagonismo é relatado, com severa redução no controle do cialofope-butílico.

Sulfoniluréias + MCPA

A mistura reduz a atividade em plantas daninhas "folhas largas". No entanto, a interação é restrita à mistura dos herbicidas em tanque, uma vez que o efeito negativo não é verificado em aplicações sequenciais dos mesmos.

O desejado sinergismo

Um caso típico de sinergismo - e o mais frequente - é a aumentada absorção e translocação quando herbicidas são misturados a adjuvantes. No entanto, como estamos tratando de misturas entre herbicidas, os relatos já se tornam mais escassos.

Inibidores do Fossistema II + Inibidores da biosíntese de carotenoides

Como já mencionado, os carotenoides exercem um papel fundamental na proteção do fotossistema, dissipando o excesso de energia, durante a fotossíntese. Na ausência dessa proteção, o efeito dos inibidores do FSII é aumentado.

Inibidores do Fossistema II + Dicamba

A mistura estimula enzimas que levam a um aumento no acúmulo de nitrito, podendo chegar a níveis fitotóxicos. Porém, os relatos na literatura são contraditórios, uma vez que também pode ocorrer o sequestro do excesso de nitrito no vacúolo, anulando o sinergismo.

Atrazina + Alacloro

Severa inibição da síntese de proteínas é associada a maior fitotoxidade dos herbicidas em mistura. Inclusive, há no mercado misturas formuladas com os dois ingredientes ativos.

Glifosato + Imidazolinonas

O sinergismo é atribuído a inibição paralela da síntese de aminoácidos por ambos os mecanismos de ação. O efeito é verificado tanto em gramíneas, quanto em "folhas largas".

É conveniente ressaltar que o comportamento das misturas de herbicidas em tanque pode diferir em razão da grande diversidade de formulações disponíveis no mercado. Para saber mais sobre formulações de herbicidas, entre no site em: weedout.com.br/category/conheca-e-aplique-melhor/

Além disso, não é intenção desse artigo substituir qualquer recomendação. Por isso, consulte sempre um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) e siga as instruções do receituário!

https://weedout.com.br/misturas-de-herbicidas/

Referências

Börger, P., Wakabayashi, K., Hirai, K. (Eds.). Herbicide classes in development: mode of action, targets, genetic engineering, chemistry. Springer-Verlag Berlin Heidelberg. 2002. 373 p.

Damalas, C. A. Herbicide tank mixtures: common interactions. International Journal of Agriculture & Biology, v. 6, n. 1, p. 209-212, 2004.

Deschamps, R. J. A., Hsiao, A. I., Quick, W. A. Antagonistic effect of MCPA on fenoxaprop activity. Weed Science, v. 38, p. 62–66, 1990.

Duke, E. O. (Ed.). Herbicide-Resistant Crops. Agricultural, environmental, economic, regulatory and technical aspects. CRC Press, Taylor & Francis Group, Boca Raton, FL. 2018. 437 p.

Duke, E. O. (Ed.). Weed Physiology. Vol II: Herbicide Physiology. CRC Press, Taylor & Francis Group, Boca Raton, FL. 2018. 268 p.

Foy, C. L. (Ed.). Adjuvants for agrichemicals. CRC Press, Taylor & Francis Group, Boca Raton, FL. 1992. 764 p.

Gressel, J. Synergizing herbicides. Reviews of Weed Science, v. 5. p. 49-82, 1990.

Hatcher, P. E., Froud-Williams, R. J. (Eds). Weed research: expanding horizons. Jonh Wiley & Sons Ltd, West Sussex, UK. 2017. 466 p.

Kirkwood, R. C. (Ed.). Target sites for herbicide action. Springer Science+Business Media, New York. 1991. 351 p.

Monaco, T. J., Weller, S. C., Ashton, F. M. Weed Science: Principles and Practices. 4th ed. John Wiley & Sons, Inc., New York. 2002. 685 p.




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