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22.05.2019 | Endividamento | artigo inédito

Arrendamento: conflito entre oportunidade e risco no campo

por Jerônimo Goergen – Deputado Federal

Desde o ano passado venho alertando sobre a situação dramática do endividamento no meio rural. Os relatos individuais viraram dezenas, que se multiplicaram em centenas até chegarem aos milhares, espalhados por todo o Brasil. Diante dos casos que chegavam até mim, tomei a decisão de investigar o problema e propor soluções. Dessa forma criamos a Comissão Externa do Endividamento Agrícola (CEXAGRIC), que se debruçou sobre o problema no primeiro semestre de 2018.

Ao final dos trabalhos, apresentamos uma série de propostas legislativas para o enfrentamento estrutural da dívida. Foi da CEXAGRIC que saiu a linha de composição de dívidas agropecuárias do BNDES, que agora aguarda pela regulamentação do Fundo de Aval Fraterno (FAF) para atingir um maior número de produtores. É um fôlego financeiro, mas não a solução definitiva. Longe disso! É preciso destacar que agricultor vive uma crise de renda. Ele colhe e fica devendo muito porque houve uma elevação enorme dos custos de produção. 

Luz, água, combustível, defensivos, serviços, impostos e, para muitos, um gasto adicional terrível: o arrendamento da terra. Se as contas já não estão fechando para os proprietários, imaginem para os arrendatários! Se no passado esse formato de produção era um bom negócio, hoje ele funciona como a pá de cal sobre o produtor que arrenda.

Segundo estudo da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), o custo de produção de um hectare de soja na região de Carazinho (RS) gira em torno de R$ 3.200,00. Se dividirmos esse valor por R$ 60, que é o custo de uma saca, teremos um custo equivalente a 53,3 sacos de soja/ha. Agregue a isso mais 15 ou 20 sacas para pagar o arrendamento. Numa perspectiva otimista, sobrariam de 10 a 15 sacas para o produtor viver. É uma oportunidade de produzir, mas que precisa levar em conta o custo no cálculo final da lavoura. E mesmo produzindo bem, esse custo pode não ser pago. E sem uma produção adequada acaba gerando, imediatamente, um passivo enorme.

A situação chegou ao limite e o governo federal precisa sinalizar claramente se terá ou não medidas de apoio para o agronegócio. O homem do campo deve e muito! Dentro do sistema financeiro, mas principalmente fora dele, onde o custo do dinheiro é muito maior. A preocupação só aumenta diante de um cenário econômico de incertezas e projeções pessimistas.




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comentários (3)

25/05/2019 - Jose Nei Telesca Barbosa (Pelotas - RS)
Gostei!
Antes tarde do que nunca! É a primeira vez na história, que uma autoridade vem a público manifestar com base na Comissão Externa do Endividamento Agrícola 'um gasto adicional terrível: o arrendamento da terra'!
Diz mais 'funciona como uma pá de cal sobre o produtor que arrenda'.
Temos registrado este custo como absurdo para a lavoura de arroz desde 1993, sendo que para a soja isto começou a ocorrer nos últimos dez anos.
Portanto, temos que estudar formas de reparar até prejuízo é os demais citados no artigo acima!
26/05/2019 - Carlos Azambuja (Camaquã - RS)
O deputado Jerônimo sempre muito atuante pela causa dos produtores, ressalte-se, toca numa ''ferida exposta'' que aflige muitos produtores rurais, o famigerado arrendamento.
A realidade precisa vir a tona não se pode tapar o sol com uma peneira. Inúmeros produtores, e bota gente nisso, topam pagar no caso do arroz, 28/30 porcento (%) do volume produzido seco e limpo para o proprietário da área.
Convenhamos, não se precisa ser um expert em matemática para ver que a conta final não vai fechar. É uma insanidade em que muitos produtores se submetem, mesmo sabendo que em dois a três anos sairão quebrados.
Muita culpa neste endividamento relativamente generalizado, deve ser atribuído há produtores ''ruins''nos cálculos de seus custos, que aceitam negociar com verdadeiros agiotas rurais.
28/05/2019 - Jose Nei Telesca Barbosa (Pelotas - RS)
É muito importante que os produtores como o senhor, Sr. Carlos, digam qual é o valor efetivamente cobrado em suas regiões. Por intuição estabeleci para fins de cálculo o valor médio de 25% cobrado a título de arrendamento pelo uso da terra e da água. Também fiz um cálculo que muitos especialistas em cálculo financeiro não concordaram num primeiro momento. Vejamos o tal cálculo para uma produção média de 7000 kg por hectare, sabendo -se que todos os custos de produção correm por conta do plantador e o proprietário entra co. A terra e agua: 140 sacos x 25% ė igual a 35 sacos. Atribuindo-se para cada hectare umcusto mínimo de 70% do montante colhido tem-se mais 24,5 sacos de custo de produção dos 35 sacos destinados para o arrendamento . Então 35 sacos mais 24,5 sacos é igual a 59,5 sacos entregues a título de arrendamento pelo uso da terra e da água. Finalizando, dos 140sacos colhidos sobrou 80,5 sacos para o plantador ou 4025 kg/ha. Então na verdade a sua colheita não foi 7000 kg/ha como saiu na estatística, mas sim 4025 kg por hectare para pagar os demais itens do custo e viver o restante do ano. Que tal?

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