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19.06.2018 | Análise de Mercado | artigo inédito

Preços internacionais do arroz tendem a desenvolver trajetória de alta

por *Cleiton Evandro dos Santos – Jornalista especializado em Agronegócios e analista de mercados de arroz

Especialistas presentes no RMTC em Punta Cana são unânimes no indicativo de que o arroz deve consolidar elevação de preços no mercado internacional pelo menos até 2020

A principal conclusão dos perto de mil participantes da Convenção de Mercados e Tecnologias de Arroz (RMTC 2018) em Punta Cana, na República Dominicana, encerrada no dia oito de junho, e que contou com uma comitiva expressiva do Brasil, é a de que os preços médios do grão devem consolidar um ciclo de alta em 2018. O evento é promovido anualmente pela Associação de Produtores de Arroz dos Estados Unidos (USRiceProducers) e reúne alguns dos principais agentes de mercado e empresas de tecnologia do mundo.

Milo Hamilton, um dos analistas mais respeitados dos Estados Unidos, projeta uma alta de até 7 dólares nas médias internacionais, por tonelada métrica de arroz, até a temporada 2020/21. Para ele, paulatinamente, a Índia caminha para se tornar uma “nova China”, equalizar sua oferta com a demanda e retrair-se no mercado mundial.

Atualmente, se trata do maior exportador de arroz do mundo, mas com dois focos distintos do mercado em que opera o continente americano (Índica de baixa qualidade e variedades aromáticas de alto valor agregado, como o Basmati). Hamilton considera que, embora em ritmo muito mais lento, a economia indiana tende a evoluir e seus 1,33 bilhão de habitantes, farão a diferença como consumidores.

“Um pacto comercial entre a Índia e a China pode ajudar neste caminho, uma vez que os dois gigantes da Ásia estão superando algumas disputas de fronteira, políticas e comerciais. A China pode passar a importar também um pouco de arroz, especialmente as variedades especiais e de grão curto, da Índia. E isso ajudará a manter os estoques hindus mais ajustados”.

No entanto, baseada numa agricultura muito arcaica, de baixa expressão tecnológica e qualidade final, e de microagricultores, em geral muito pobres, os indianos têm mais capacidade de vender seus excedentes do que ampliar sua produção. E o governo vem insistindo em incentivar a produção de pulses e milho em substituição ao arroz, que exige altos investimentos para interferir na regulação do mercado e distribuição social interna.

Enquanto isso, o analista internacional, Thomas Wynn, do Conselho de Produtores de Arroz do Texas (EUA), projeta preços médios de US$ 370,00 por tonelada de arroz em casca nos EUA (beneficiado, Fob Golfo do México) no ano comercial 2018/19, como referência de exportação. Segundo ele, embora a China mantenha grandes estoques, sua característica de gestão é muito singular: “Não veremos os chineses ofertando produto no mercado internacional, exceto em situações muito atípicas, como ajuda a um país aliado ou em dificuldades alimentares”, resume. Por isso, entende que apesar de grandes, os estoques chineses devem ser desconsiderados para a avaliação do comércio mundial.

Wynn enfatiza que o Mercosul vem crescendo como fornecedor principal nas Américas, condição sustentada por ótima qualidade do arroz produzido e preços competitivos. Ele entende que os Estados Unidos vêm perdendo mercado por não dar a resposta em qualidade e competitividade que os países compradores americanos esperam e isso tende a levar a uma demanda ainda mais expressiva das Américas do Sul, Central e do Norte, ao arroz em casca do Mercosul na atual e nas futuras temporadas. Reconhece que o câmbio favorável do Sul das Américas tem sido estratégico.

Uma das estratégias norte-americanas para evitar prejuízos tem sido a conversão de áreas de arroz longo-fino para médio ou curto. Trata-se de um produto de valor agregado e que tem um mercado expressivo no mundo.

Em geral, os participantes do RMTC 2018, concordaram também na expansão da presença do Mercosul. Será um ano de boa comercialização, em especial para o arroz em casca. Percebemos, por exemplo, que o Paraguai caminha para consolidar novos e importantes mercados, como o Oriente Médio e o México, deixando de depender quase que exclusivamente do mercado brasileiro, o que demonstra a rápida ascensão deste país em termos de estratégia comercial, em que pese suas dificuldades de logística.

De 50 mil toneladas no ano passado, o Paraguai deverá alcançar mais de 250 mil toneladas direcionadas a países das Américas e do Oriente Médio em 2018, entre eles o Iraque. É importante frisar que em 2018, de janeiro a maio, o Brasil exportou mais de 815 mil toneladas de arroz em base casca, volume maior do que todo o ano de 2017. Com estoques muito ajustados, Mais 100 mil toneladas de arroz em casca em vendas externas já consolidadas até setembro, volume que pode dobrar com quebrados e beneficiado, e preços internos em alta, o Brasil tende a importar mais no segundo semestre.




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comentários (2)

25/06/2018 - Edereson Diehl ( - AC)
Se os precos no Brasil está em alta, seria pelo dolar alto q favorece exportacoes, então não entendo aumento de importacões no segundo semestre se o dólar continuar alto?!!
04/07/2018 - Moderador Planeta Arroz (Porto Alegre - RS)
É básico, Edereson: temos uma relação de oferta e demanda ajustada. E um mercado livre no Mercosul, com o arroz paraguaio muito competitivo frente ao nosso alto custo de produção. O fator, neste caso, não é apenas o câmbio, mas o fluxo e a relação de demanda e de oferta. Vale lembrar que o dólar que valoriza aqui, também valoriza nos países vizinhos. Alguns, como a Argentina, tiveram uma depreciação da moeda local próxima do dobro da nossa.Portanto, tem também ganho competitivo. O alto volume de exportação chega a um ponto em que a indústria e o varejo precisarão de reposição. E pagarão mais por isso. Não havendo produto no Brasil, é necessário buscar em outras fontes. Com preços mais altos aqui, digamos em 11,5 a 12 dólares, mesmo que com um dólar vantajoso para exportar, para os países vizinhos que estarão 'micando' com 40, 50, 60% da produção, passa a compensar livrar-se do estoque do que mantê-lo. O controle, em tese, vem na regulação do volume a produzir na próxima safra. Algumas agências trabalham com expectativa de 1 milhão de toneladas importadas. Nossa expectativa é menor, entre 700 e 800 mil t. Um abraço e obrigado por sua contribuição.

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