Sementes Basso 2

cadastre-se

Na Planeta Arroz os usuários cadastrados têm muitas vantagens. Faça o seu cadastro grátis.

cadastre-se agora
assine 123
Facebook

rss

Na Planeta Arroz você pode conferir as últimas novidades através de Feeds RSS. Confira:

notícias
artigos
Assine 4

artigos

13.01.2018 | Safra | artigo inédito

O milagre da multiplicação dos consumidores de arroz

por Cleiton Evandro dos Santos - Jornalista especializado em Agronegócios e analista do mercado de arroz da AgroDados

Quando a Conab quer, brotam consumidores de arroz no mercado brasileiro Quando a Conab quer, brotam consumidores de arroz no mercado brasileiro

O quarto levantamento da safra de grãos, publicado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta quinta-feira, 11 de janeiro de 2018, referente a dezembro, ratifica alguns números divulgado em dezembro referentes ao levantamento de novembro (3º).

Para o arroz, chama nossa atenção a volta de uma prática que há pouco mais de uma década levou os números da companhia à descrença e desconfiança dentro da cadeia produtiva, o que precisou de um forte trabalho dos analistas Paulo Morceli e aqueles que o substituíram para concretizar novamente a credibilidade do organismo. Alterações que contrapõem o histórico e a lógica para justificar projeções anteriores nas planilhas. 

É preciso registrar que a equipe que realiza o levantamento da safra de grãos é diversa daquela que realiza o acompanhamento mensal da evolução das safras e o analista deste setor da Conab é apenas colaborador da equipe sem ingerência definitiva sobre as conclusões.

Ajustes são naturais e necessários durante o percurso, mas, sem as colunas da balança comercial para mexer, uma vez que os dados oficiais são públicos e divulgados pela Secex/Mdic, restou à Conab apenas duas colunas para mexer: produção e consumo, para determinar o estoque final.

Tivemos, há alguns anos, episódio de ajuste no qual desapareceu quase metade da área de produção de arroz do Maranhão, que há uma década a cadeia produtiva daquele estado informava que não existia e estava superdimensionada.

Depois, um forte ajuste para evitar que – mesmo com o mercado ofertado, supermercados e indústrias estocadas e consumo mantido – os estoques da planilha da companhia terminasse negativos. O que indicava um erro importante nos cálculos e projeções da companhia, principalmente por suas dificuldades em mensurar os estoques privados.

Agora o que surpreende - é que em duas décadas a empresa vem trabalhando com retração do consumo, alicerçada na melhoria da renda do brasileiro que leva ao consumo de sucedâneos – trigo, proteínas, frutas, hortigranjeiros, etc...- para estabelecer o argumento de queda nos volumes consumidos de arroz pelos brasileiros.

De quase 13 milhões de toneladas por ano de duas décadas atrás, os volumes caíram até 11,4 milhões de toneladas na temporada 2015/16. Em crise aguda, elevaram-se para 11,5 milhões de toneladas em 2017 e, agora, desde novembro “brotaram” no Brasil consumidores que demandarão mais 500 mil toneladas do grão, em base casca. São 600 mil toneladas, praticamente o equivalente ao importado do Paraguai, em 2 anos.

E isso se dá sem nenhuma pesquisa de consumo, estatística, fator, prova, indicação comprovação de que este número se confirme, existe, é real. E sob o mesmo argumento que derrubava o consumo anteriormente - a melhoria da economia.

Exatamente por não haver nada que prove que há aumento de consumo – ou redução – parece a quem analisa os dados, que a Companhia, com imensas dificuldades de mensurar o estoque privado também por falta de interesse de muitas empresas que julgam esta uma informação estratégica – e pela própria dificuldade de se estabelecer o que entra de arroz paraguaio contrabandeado no Brasil, simplesmente passou a conta da superestimação da safra passada e das exportações, e da subestimação das importações, para a conta de novos hipotéticos consumidores.

Uma prática simplista de fechar a matemática – mas, que não necessariamente representa a realidade do mercado - que há muitos anos havia sido abolida num trabalho sério dos analistas da área dentro da Conab.
É a troca do pneu com o carro andando. Não um ajuste.

Se houvesse uma evolução gradual de 50, 60, 100 mil toneladas anuais, poderia até parecer natural. Mas, um salto mágico, como se as pessoas resolvessem: "agora sim, vamos comer mais arroz" do nada, dá mrgem não apenas à dúvida, mas a desconfiança. 

A mudança quer dizer que surgiram consumidores de um ano para outro capazes de eliminar todo o peso da importação de arroz do Uruguai e da Argentina, ou consumir 80% do volume importado do Paraguai, por exemplo.

Com mais uma "evolução da crise" em 500 mil toneladas de consumo, no ano que vem, todos os problemas da orizicultura brasileira poderão acabar, pois a balança comercial estará equilibrada, o consumo e o suprimento serão equivalentes e os preços devem se ajustar. Em três anos, estaremos importando da Ásia e dos Estados Unidos, mantida essa "tendência". Sim, isso é uma ironia!

O que pergunto, e deixo para a cadeia produtiva responder, é como ficam produtores, operadores de negócios, que amargaram prejuízos ao longo do ano passado diante destas estatísticas que fazem "brotar consumidores"?

Como fica a indústria, em especial as pequenas e médias que têm suas margens diminuidas face ao regramento estabelecido pelo varejo de enxovais, promoções, aniversários.

Como ficam as pesquisas sérias, ainda que por amostragem, que vem sendo realizadas em algumas capitais?

Como ficam os dados do IBGE que mostram queda per capita do consumo?

E os do Dieese, que realiza uma das pesquisas mais sérias e críveis do Brasil em termos de preços da cesta básica e consumo da família brasileira?

E qual a margem de erro da Conab ao estabelecer o consumo?

É preciso ter a clareza de que por detrás das estatísticas existe uma cadeia produtiva que envolve mais de 25 mil produtores, mais de 200 mil trabalhadores, mais de 300 indústrias e 200 milhões de consumidores.

É preciso haver seriedade e transparência na produção de estatísticas, comprovação científica, pois os ajustes numerais interferem não apenas nos negócios, mas na vida de milhares de pessoas.

É preciso que a Conab revise seus números, sim, mas para reportar a realidade.

Não há espaço para ficção na cadeia produtiva do arroz.

Não nestes termos. Não com estes prejuízos!

A cadeia produtiva não pode calar frente a estes “soluços” estatísticos de um organismo público, federal, que representa o governo e está no topo dos referenciais sobre os dados de safra, ainda que este “milagroso” aumento do consumo possa ser hipoteticamente benéfico. O pêndulo que vai para um lado hoje é o mesmo que muda a direção e a força amanhã.

Levantamento Safra Estoque Inicial Produção Importação Suprimento Consumo Exportação Estoque final


Maio 2017 2016/17 459,6 11.963,1 1.000,0 13.422,7 11.500,0 1.000,0 922,7

Dez. 2017 2016/17 430,8 12.327,8 1.000,0 13.758,6 11.500,0 800,0 1.458,6

Diferença - 28,8 + 364,7 +141,0 (ano civil) +335,9 0* - 130,0 +535,9


*O salto de 500 mil toneladas de aumento de consumo é previsto para o ano safra 2017/18.

**As diferenças considerando a balança comercial do ano civil são ainda maiores em 271 mil toneladas, mas a estatística da Conab se refere ao ano safra, mas não deve ter alteração significativa.

Fonte: Levantamentos da Conab em maio e dezembro de 2017.




Enviar artigo para um amigo

Deixe o seu comentário.
Para isso, é necessário estar logado.

esqueci minha senha enviar

Se você é um novo usuário, faça o seu cadastro gratuitamente.

Todos os direitos reservados - Copyright 2018 - Planeta Arroz

Desenvolvido por dzestudio