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11.07.2016 | Setorial | artigo inédito

O sumiço do arroz e a falência dos arrozeiros

por Ademar Leomar Kochenborger - Arrozeiro e presidente da União Central de Rizicultores (UCR)

Alguns questionamentos, neste momento, pós-colheita do arroz da safra 2015/2016, são obrigatórios: Qual a verdadeira redução na produção? Porque o arroz subiu tão rapidamente? A quem interessa divulgar dados errados? O produtor ainda tem arroz na sua mão?

O IRGA divulgou uma quebra de 16%, com uma produção de 7,3 milhões de toneladas de arroz, sendo o consumo médio no país de aproximadamente um milhão de toneladas, sendo que haveria produto suficiente até o mês de outubro, descontando as exportações realizadas.

Neste contexto, causa estranheza, que a grande maioria dos produtores já tenha realizado a venda de seu produto na faixa de 40 a 42 reais a saca e, atualmente, os preços atingiram o patamar de 50 reais a saca. Fica muito claro que houve interesse escuso em não divulgar a verdade, ou seja, a quebra da safra é muito maior do que foi apresentado. A realidade aqui na região de Cachoeira do Sul não pode ser tão diferente das demais regiões, eis que o negócio é o mesmo, com pequenas variáveis.

Claro que o fenômeno “El Nino” impactou de alguma forma, mas, colocar unicamente no clima a responsabilidade pela elevada e real quebra da safra, é faltar com a verdade, ou, desinformar a população.

Sobre os ditos “dados oficiais”, também colocamos em dúvida, pois, muito provavelmente não estamos mais plantando a área divulgada e muito menos, obtendo aquela produtividade média ali informada.

Observa-se um grande desânimo junto aos arrozeiros, que estão gradativamente abandonando a atividade, aliás, estão ficando pelo caminho, sofrendo arrestos, execuções, com baixa auto-estima e com um elevado endividamento junto a bancos e fornecedores de insumos. Hoje podemos afirmar categoricamente que o ARROZEIRO QUEBROU, fato cristalizado no movimento que reuniu 600 produtores em Cachoeira do Sul, no dia 05/06/2015, denominado de FALÊNCIA DA LAVOURA ARROZEIRA.

As entidades ditas representantes dos arrozeiros não apoiaram este movimento e numa forma desrespeitosa criticaram o mesmo. A classe arrozeira está muito mal representada, pela ausência de verdadeiros líderes, prova disto foi a reunião de posse da nova Diretoria da FEDERARROZ, que aconteceu no dia 28/06/2016 na sede da FARSUL em Porto Alegre, quando estavam presentes um pequeno número de associações de arrozeiros.

Nas últimas safras, o resultado negativo, basicamente pela elevação no custo de produção e baixo preço de venda do produto, inviabilizou a lavoura de arroz, com o produtor enfraquecido, sem acesso a crédito oficial, dependente do engenho, fornecedores e agiotas, reduziu tecnologia e área de plantio e o resultado foi um grande rombo financeiro, sendo necessária uma nova securitização pelo prazo mínimo de vinte anos.

A mídia divulga o alto preço praticado pelo arroz, como se o produtor tivesse produto ainda para ser comercializado. O produtor foi obrigado a vender seu produto, para honrar seus compromissos, logo após a colheita, recebendo ao redor de 40 reais pela saca. Prova disto é que se os agentes financeiros exigissem recibo de depósito para alongamento do último custeio, somente uma minoria poderia emitir e assinar tal recibo, pois, o arroz não existe mais.

Sobre o alarde do preço de 50 reais a saca, algumas verdades devem ser ditas: Não salvará os produtores, pois, já estavam insolventes; Há muito pouco produto na mão do produtor; Este valor, pela produtividade média da última safra, não cobre o custo de produção; Utilizando a inflação dos últimos vinte anos deveríamos estar vendendo arroz a oitenta reais a saca; Não motivará o produtor a continuar na atividade, eis que não possui condições financeiras para encarar a próxima safra.

Outro fator de desistímulo do setor é o grande números de exigências dos órgãos de fiscalização, especialmente àqueles vinculados as áreas ambientais e trabalhistas, que oneram e atrapalham a via de quem produz alimentos.

O produtor sente-se abandonado, não tendo a quem pedir socorro. Nas diversas reuniões que ocorreram junto aos órgãos governamentais, uma série de relatos e documentos foram entregues, parte na última FENARROZ e outra parte diretamente nos gabinetes de Brasília. De concreto, como resposta, pouca coisa ou quase nada. Comentam de uma prorrogação por cinco anos para àqueles atingidos pelas enchentes, fato que não resolve e não enfrenta a crise, que é a falta de renda do produtor.

Por último resta clamar e perguntar a toda a sociedade: A quem interessa o extermínio desta nobre atividade de produzir arroz? Ao produtor, claro que não; Ao consumidor que pagará caro pelo arroz, claro que não; A indústria, que não terá matéria prima para beneficiar, claro que não; Ao governo, que arcará com as consequências da elevação da inflação, claro que não.

Desta forma, basta todos os envolvidos nesta importante cadeia, sentarem numa mesma mesa, apresentando a realidade do setor e buscando a solução de todos os problemas. Não podemos assistir passivamente a insolvência do arrozeiro e a disparada do preço, que não beneficia ninguém. A nossa omissão poderá causar perdas irreparáveis. 


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comentários (2)

01/08/2016 - LEANDRO ERNESTO DALFOVO (CURITIBA - PR)
FALÊNCIA DOS ARROZEIROS
01/08/2016 - LEANDRO ERNESTO DALFOVO (CURITIBA - PR)
INSOLVÊNCIA DO ARROZEIRO

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