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05.03.2010 | GESTãO - por Sebrae/RS
Sebrae/RS e Irga iniciam projeto para produtores de arroz do Litoral
A safra do arroz no Litoral Norte, cuja colheita se inicia no próximo mês, promete apresentar bons números. Diferentemente de outras regiões, mais afetadas pelo excesso de chuvas, não deverá haver quebra significativa de produtividade na área que já é considerada campeã no Estado no rendimento do cereal. A média de grãos em casca inteiros por saca de 50 quilos é de 63%, enquanto em outros locais gira em torno de 57%. Agora, a nova estratégia dos produtores para ampliar o rendimento da lavoura inclui o aperfeiçoamento das práticas administrativas nas propriedades. Para isso, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Sul (Sebrae/RS) e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) promovem o projeto Qualificar a Gestão Administrativa dos Orizicultores do Litoral Norte (Gestão 10).
O projeto proporcionará a 50 empreendedores agrícolas capacitações e acompanhamentos técnicos para que alcancem metas como a implantação de controles gerenciais, a redução nos custos de produção e o aumento de lucratividade. A iniciativa atenderá Santo Antônio da Patrulha, Capivari do Sul, Mostardas, Torres e Viamão - municípios onde estão localizados escritórios regionais do Irga.
“Beneficiados pelas características climatológicas, como vento e chuvas constantes e menor oscilação de temperatura, os produtores locais obtêm cereais de excelente qualidade. Eles identificaram a falta de conhecimentos em gestão como o principal limitador do desenvolvimento do setor arrozeiro na região”, explica o gestor do projeto pelo Sebrae/RS, Thiago Camargo. Segundo ele, o produto proveniente das áreas litorâneas já é bastante atrativo para as indústrias. Normalmente, o preço da saca é mais elevado, mesmo assim o arroz da região é procurado por grandes compradores do centro do País.
De acordo com o coordenador da região Planície Costeira Externa do Irga, José Tronchoni, estima-se que o arroz, nesta área de abrangência, ocupe uma área de mais de 120 mil hectares, distribuídos entre mil produtores. “Esta nova modalidade de acompanhamento, sustentada na gestão, é inédita em nosso trabalho. Objetivamos que estes se qualifiquem para conquistar melhorias tanto em administração do negócio quanto em produtividade”, ressalta Tronchoni. O coordenador espera que os treinamentos também se estendam para as outras regiões arrozeiras do Estado. Através de uma ação chamada P10, a instituição já auxilia os produtores em quesitos técnicos, de agronomia e revenda, por exemplo.
Melhorias gerenciais
Para promover melhorias gerenciais e de sustentabilidade, a principal ação do projeto é a aplicação do Programa Boas Práticas de Gestão para Arrozeiros. Entre os meses de junho e setembro, período de entressafra, os orizicultores terão aulas e receberão a visita de consultores nas propriedades para aplicar as soluções. Serão trabalhadas metodologias para planejamento estratégico do negócio, controles financeiros, ambiente da qualidade e gestão de processos. Em cada município, o treinamento será de 40 horas.
O Gestão 10 tem como meta atingir 70% de aplicabilidade dos produtos desenvolvidos. “O projeto permitirá que os produtores aprendam a calcular o seu custo real, negociem com mais efetividade e estejam sempre atentos às condições de endividamento e planejamento nas compras de insumos e máquinas. Ainda o cuidado com a organização do ambiente de trabalho e o gerenciamento dos processos envolvidos na atividade”, ressalta Camargo.
O gestor ainda adianta que estão em andamento os preparativos para que os produtores participem de Rodadas de Negócios durante o 2º Seminário Orizícola de Capivari do Sul, em maio. “Será uma oportunidade de comercializarem em grande escala a safra 2010”, avalia Camargo. O coordenador José Tronchoni acrescenta que o Irga estima para este ciclo, na região, uma colheita semelhante a do ano anterior, com produtividade de 6,5 mil quilos de arroz por hectare.
Principal produtor
Segundo o Irga, o Rio Grande do Sul é o principal produtor de arroz do Brasil, respondendo por 62% da produção nacional. A colheita 2008/2009 foi a maior da história, com produção total de 7,5 milhões de toneladas. Para a próxima safra (2009/10), cerca de 1,1 milhão de hectares foram semeados e a colheita ocorrerá entre março e maio.
O volume de exportações do arroz gaúcho, no período entre março de 2009 e janeiro de 2010 totalizou 866,3 mil toneladas (base casca), um crescimento de 17,4% sobre igual período do ano anterior, que superou o recorde obtido em 2008 (789 mil toneladas). A expectativa do setor é de manter as exportações em torno de 10% da produção regional no ano, em torno de 700 mil toneladas. O principal destino é o continente africano, com destaque para Nigéria, Senegal, África do Sul e Benin.
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