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23.02.2014 | SAFRA - por Joana Colussi/Zero Hora (RS)

Propriedade em Mostardas mostra a razão do sucesso na produção de arroz

Em Mostardas, no litoral sul do Estado, 1,25 mil hectares cultivados com arroz deverão resultar em 225 mil sacas, calcula José Mathias Bins Martins, 48 anos

Em uma área gerenciada pela terceira geração da família Bins Martins, em Mostardas, no litoral sul do Estado, 1,25 mil hectares cultivados com arroz deverão resultar em 225 mil sacas do grão na safra que começou a ser colhida nesta semana. Na propriedade localizada a um quilômetro da Lagoa dos Patos e a 15 quilômetros do mar, José Mathias Bins Martins, 48 anos, tem uma frota de 40 máquinas e equipamentos, sistema de irrigação movido por linhas próprias de energia elétrica e 14 silos para secagem e armazenagem dos grãos. Além da mecanização, o engenheiro agrônomo que administra a Fazenda Cavalhada ao lado do irmão Leandro Bins Martins, 40 anos, faz o manejo do solo com drenagem e uso de fertilizantes e defensivos para afastar doenças e pragas. Na propriedade, os irmãos contam com a ajuda de 35 funcionários fixos. Nesta página, saiba mais sobre a tecnologia aplicada na lavoura de arroz e como resulta em produtividade.

Secagem e armazenagem

À medida que o arroz é colhido na lavoura, passa por processo de secagem em silos instalados dentro da propriedade. Com capacidade para armazenar até 170 mil sacas de arroz em 14 armazéns, 75% da safra a ser colhida neste ano, a Fazenda Cavalhada encaminha o excedente para a Cooperativa Arrozeira Palmares — que tem marca própria. Sem depender de estruturas externas para guardar o grão, os arrozeiros conseguem fugir da alta do frete na colheita e segurar o produto em caso de baixa de preço: — A secagem e armazenagem próprias deixam o arroz na mão do produtor, que pode optar por negociar no melhor momento — aponta Alexandre Azevedo Velho, presidente da Associação dos Arrozeiros de Mostardas e Tavares. Conforme Velho, a maior parte da safra da planície costeira externa é vendida fora do Rio Grande do Sul, para Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Manejo do solo

A adequação das áreas de várzea para o plantio do arroz exige preparo específico do solo, que vai da drenagem ao uso de fertilizantes e defensivos para controle de ervas daninhas. A irrigação por inundação permite uma utilização menor de agroquímico. À medida que inunda o solo, a água também faz supressão das plantas invasoras, não permitindo que nasçam, diminuindo a necessidade de defensivos. Ao adotar práticas de manejo adequadas para a cultura, a Fazenda Cavalhada consegue melhorar o rendimento e reduzir os gastos com insumos. No inverno, parte da propriedade é ocupada com forragem e gado de corte.

100% irrigada

Com toda a lavoura de arroz irrigada por sistema de inundação, assim como praticamente 100% da área cultivada no Estado, a Fazenda Cavalhada tem levantes de dois a cinco metros de altura (estrutura para colocar as bombas que puxam água da lagoa para a plantação). — Há regiões em que os levantes chegam a 80 metros de altura. Os nossos são baixos porque estamos quase no nível da lagoa — explica Martins. Captada em reservatórios, a água é distribuída por meio de canais colocados nos pontos mais altos do terreno. O nível da água inferior à lavoura faz com que a distribuição seja feita por bombeamento movido à energia elétrica. — Investimos em ligações próprias de energia — detalha o produtor, que vive situação privilegiada na comparação com outras partes do Estado, que sofrem com problemas no abastecimento. O processo de irrigação envolve ainda a submersão e drenagem do solo e altura da lâmina de água.

Valorização da origem

A produção de arroz na região formada por sete municípios gaúchos conseguiu a classificação Denominação de Origem no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). A indicação é única no Brasil. Dos 130 mil hectares plantados em municípios da planície costeira externa, por enquanto, 10 mil hectares se encaixam na classificação.



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