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04.01.2017 | Agronegócio

O desafio da intensificação do uso do solo

por Lucilio Rogerio Aparecido Alves - Professor da Esalq/USP

 De 2000 a 2016, segundo a Conab, a produção de grãos e cereais passou de 100,3 milhões de toneladas para 186,3 milhões – em 2015 atingiu 207,8 milhões de toneladas –, ou seja, crescimento acumulado de 85,8% nesse período – na comparação até 2015, o aumento era de 107,2%. No mesmo período, a área alocada a essas culturas se expandiu 54,1%, indicando elevação de 63,5% na produtividade (toneladas/hectare).

Para o Brasil, esse contexto representou melhor abastecimento interno, inflação menor e mais exportações. Este dinamismo na agricultura brasileira vem do uso cada vez mais intenso de tecnologias – nas formas de genética, agroquímica, maquinário –, que permite a ocupação do solo em regiões de fronteira agrícola, geralmente não tão férteis, e especialmente dos cultivos em segunda e, em alguns casos, de terceira culturas em um mesmo ano-safra. Os dados apontam que a taxa de crescimento do uso do solo e da produção em segunda safra são bem mais expressivas que a da primeira safra, ou de verão.

Na safra 2000/01, o Brasil cultivou 45,6 milhões de hectares com culturas temporárias e 6,2 milhões com culturas permanentes, dos quais 37,8 milhões (73% do total) com culturas de grãos e cereais. Do total de grãos e cereais, 88% eram com lavouras de verão e 12%, com segunda safra e/ou culturas de inverno. Na temporada 2015/16, o cultivo total de lavouras temporárias e permanentes passou para 76,8 milhões de hectares (aumento de 48,2%) e o de grão e cereais, para 58,3 milhões de hectares (aumento de 54,1%, passando a representar 75,6% do total cultivado). Nessa última safra, 77,5% da área de grãos e cereais foram cultivados no verão e 22,5%, na segunda safra. Enquanto a taxa de crescimento anual da área cultivada com grãos e cereais total foi de 2,34%, a de cultura de verão foi de 1,47% a.a., enquanto a de segunda safra chegou a 6,72% a.a.

Nestes 16 anos, a área ocupada com arroz no Brasil decresceu 1,2 milhão de hectares (ou queda de 38,2%); a de feijão caiu mais de um milhão de hectares (ou 26,8%) e a de milho de verão, 5,1 milhões de hectares (ou 49%). Assim, o crescimento dos 20,5 milhões de hectares cultivados veio praticamente do cultivo de soja (+ 19,3 milhões de hectares ou forte aumento de 138%) e do milho segunda safra (8,1 milhões de hectares ou 334,2%). Porém, outras oito culturas também tiveram crescimento de área, apesar de em menor intensidade. Em Mato Grosso, por exemplo, o algodão passou a ser cultivado em sucessão à soja no mesmo ano-safra. No Rio Grande do Sul, áreas de arroz passaram a ser cultivadas com soja, seja intercalando o cultivo no ano após a colheita de arroz, ou mesmo sendo uma das culturas principais ano-a-ano.

No geral, apesar de o cultivo de segunda safra se dar em período menos favorável em termos de condições climáticas, os volumes produzidos por unidade de área seguem crescendo na maioria das culturas. São destaques os avanços em produtividade da maioria das culturas de inverno e o milho segunda safra.

O crescimento da produção de milho se deu principalmente pelo incremento da produtividade (41,2% no verão nos últimos 15 anos e 45,7%, na segunda safra), mas também com expansão área colhida com grãos, a qual foi distribuída entre maior uso da terra em regiões de fronteira e intensificação do semeio em segunda safra em substituição do cultivo de verão.

Quanto à soja, com maior área cultivada entre as culturas temporárias, houve pouco avanço na produtividade nos últimos 16 anos-safras. As intempéries climáticas e a antecipação de cultivo podem ter tido impacto sobre os rendimentos por hectare. Com produtores intensificando o cultivo de segunda safra (milho, algodão, feijão, etc), houve necessidade de ajustes no período de semeio da soja, sempre com sua antecipação, visando a colheita em períodos considerados adequados para o cultivo de uma segunda – especialmente de milho.

O uso mais intenso do solo em duas ou mais culturas no mesmo ano-safra gera alguns questionamentos, como: até que ponto o cultivo em segunda safra pode aumentar os riscos de origem climática, fitossanitária e de mercado? Será que no longo prazo as culturas que estão sendo utilizadas em sucessão podem impactar negativamente a produtividade do sistema produtivo? Quais os desafios agronômicos dos sistemas produtivos utilizados atualmente? É possível incrementar ainda mais a produtividade das principais culturas produzidas atualmente? A quais custos? Dado o agravamento climático de anos recentes, será que o uso mais intenso de irrigação se apresenta viável? Que impacto isso teria sobre o uso da água, cada vez mais preocupante. Além disso, questionam-se quais são os mecanismos que podem ser implementados para superar esses desafios que estão fora do controle do produtor individual e, por isso, precisam contar com programas e políticas agrícolas e de infraestrutura de boa qualidade.

Para embasá-las são necessárias pesquisas do ponto de vista econômico, financeiro, agronômico etc, especialmente porque há muito que se avançar no uso da terra em segunda safra. Como exemplo, no Centro-Oeste, apenas 45% da área de soja é utilizada com milho na segunda safra – grande parte fica em pousio e pode/deve ser utilizada para elevar a oferta de alimentos para as populações brasileira e mundial.




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